{"id":2182,"date":"2023-06-25T10:00:00","date_gmt":"2023-06-25T10:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/alameda.institute\/?p=2182"},"modified":"2026-02-10T21:16:35","modified_gmt":"2026-02-10T21:16:35","slug":"dez-anos-antes-de-junho-de-2023","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alameda.institute\/pt\/artigo\/dez-anos-antes-de-junho-de-2023\/","title":{"rendered":"Dez anos antes de junho de 2023"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-post-date has-small-font-size\"><time datetime=\"2023-06-25T10:00:00+00:00\">25 de junho de 2023<\/time><\/div>\n\n\n<div style=\"height:24px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/alameda.institute\/wp-content\/smush-webp\/2023\/06\/1-1024x576.png.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-2290\" style=\"width:786px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/alameda.institute\/wp-content\/smush-webp\/2023\/06\/1-1024x576.png.webp 1024w, https:\/\/alameda.institute\/wp-content\/smush-webp\/2023\/06\/1-300x169.png.webp 300w, https:\/\/alameda.institute\/wp-content\/smush-webp\/2023\/06\/1-768x432.png.webp 768w, https:\/\/alameda.institute\/wp-content\/smush-webp\/2023\/06\/1-1536x864.png.webp 1536w, https:\/\/alameda.institute\/wp-content\/smush-webp\/2023\/06\/1-18x10.png.webp 18w, https:\/\/alameda.institute\/wp-content\/smush-webp\/2023\/06\/1-150x85.png.webp 150w, https:\/\/alameda.institute\/wp-content\/smush-webp\/2023\/06\/1-600x338.png.webp 600w, https:\/\/alameda.institute\/wp-content\/smush-webp\/2023\/06\/1.png.webp 1600w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Esse m\u00eas foi marcado por uma enorme produ\u00e7\u00e3o de an\u00e1lises discutindo a extens\u00e3o e o sentido de Junho de 2013 e do ciclo nacional de protestos que agora completa 10 anos. A pluralidade de abordagens representada nos livros, debates e artigos lan\u00e7ados nos convida n\u00e3o s\u00f3 a revisarmos alguns dos lugares comuns que se sedimentaram ao longo da \u00faltima d\u00e9cada, mas tamb\u00e9m a recuperarmos uma distin\u00e7\u00e3o que pode nos ajudar a navegar todo esse novo material. Afinal, h\u00e1 uma diferen\u00e7a entre escrever <em>a respeito <\/em>de<em> <\/em>um processo pol\u00edtico e escrever <em>como parte <\/em>desse processo, isto \u00e9, escrever politicamente - e isso n\u00e3o tem nada a ver com se dissermos algo positivo ou negativo, se nos aliamos a essa ou aquela organiza\u00e7\u00e3o ou movimento, ou mesmo se enaltecemos sucessos ou apontamos fracassos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A distin\u00e7\u00e3o depende, na verdade, do destino que damos \u00e0s contradi\u00e7\u00f5es, desafios e aos limites turvos de um momento hist\u00f3rico. Quando escrevemos \u201csobre\u201d um momento pol\u00edtico, em geral nossa tarefa \u00e9 dar conta de suas caracter\u00edsticas a partir das demandas de nossos leitores - demandas por mais informa\u00e7\u00f5es, por certos princ\u00edpios e valores. Nosso trabalho \u00e9 o de representar um momento hist\u00f3rico para algu\u00e9m que est\u00e1 do outro lado de uma divisa temporal e n\u00e3o tem portanto acesso direto ao seu significado. Quando escrevemos politicamente, no entanto, todos esses elementos mudam de lugar: trata-se n\u00e3o mais de demarcar uma dist\u00e2ncia entre o passado e o presente, mas de encontrar dentre as caracter\u00edsticas daquela sequ\u00eancia pol\u00edtica os sinais de sua continuidade com o nosso pr\u00f3prio momento. Isso implica, muitas vezes, em uma invers\u00e3o paradoxal: ao inv\u00e9s de utilizarmos as exig\u00eancias do leitor bem pensante para julgar o que seria uma avalia\u00e7\u00e3o adequada do passado, s\u00e3o as quest\u00f5es que o passado deixou em aberto que servem para produzirmos uma nova avalia\u00e7\u00e3o de n\u00f3s mesmos, uma nova representa\u00e7\u00e3o poss\u00edvel de nossos leitores - que s\u00e3o portanto convocados a <em>continuar pensando<\/em> aquilo que nos liga ao que veio antes. Seja h\u00e1 10, 100 ou 500 anos atr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>Permitir que um processo pol\u00edtico jogue luz sobre o presente n\u00e3o significa, como adiantamos, necessariamente afirmar que os mesmos m\u00e9todos, atores ou os mesmos objetivos pol\u00edticos permanecem relevantes antes e agora. Ao contr\u00e1rio, muitas vezes \u00e9 uma opera\u00e7\u00e3o que nos demanda abandonar ilus\u00f5es ou confrontar a real extens\u00e3o de nossos fracassos. Trata-se, antes de tudo, de propor uma alian\u00e7a entre o que permanece impensado em um evento coletivo e a nossa capacidade coletiva de continuar a pensar. \u00c9 esse o esp\u00edrito que anima o instituto Alameda tanto em seu projeto de cria\u00e7\u00e3o de um arquivo nacional de registros audiovisuais de junho - buscando promover o reencontro de pesquisadores e organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas com a dimens\u00e3o ainda invis\u00edvel das Jornadas - quanto ao comissionar quatro novas contribui\u00e7\u00f5es sobre o d\u00e9cimo anivers\u00e1rio dessa sequ\u00eancia pol\u00edtica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O fil\u00f3sofo Paulo Arantes, em seu <em><a href=\"https:\/\/alameda.institute\/pt\/junho2013\/post-scriptum-sobre-o-decimo-aniversario\/\">Post-Scriptum sobre o d\u00e9cimo anivers\u00e1rio<\/a><\/em>, O presidente do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o da empresa, Jos\u00e9 Carlos Salles, defende que \u00e9 o confronto ainda incompreendido com \u201cum novo tempo brasileiro\u201d que nos une a junho: \u201cdez anos de uma conjuntura demon\u00edaca pedindo identifica\u00e7\u00e3o\u201d. Por sua vez, em <em>Para escovar a hist\u00f3ria a contrapelo: junho, uma montagem, <\/em>Carla Rodrigues recupera por dentro dos pr\u00f3prios impasses do movimento feminista o fio de uma continuidade que liga as contradi\u00e7\u00f5es daquele momento e do nosso. Para a fil\u00f3sofa, Junho \u00e9 \u201cum filme em movimento, ainda em processo de montagem, cujas cenas finais n\u00e3o acontecer\u00e3o na rampa do Pal\u00e1cio do Planalto nem em 1\u00ba de janeiro nem em 8 de janeiro de 2023\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ludmila Ab\u00edlio, em seu <em>O ovo do ornitorrinco<\/em>, O autor do livro, o soci\u00f3logo Francisco de Oliveira, retoma li\u00e7\u00f5es cruciais em um esfor\u00e7o de distinguir as transforma\u00e7\u00f5es profundas no mundo do trabalho que prepararam o terreno para junho da capacidade de resposta - tragicamente assim\u00e9trica - que a esquerda e a direita apresentaram quando confrontadas com esses novos desafios. Afirma, assim, que \u201co ovo da serpente que come\u00e7ava a ganhar corpo em 2013 \u00e9 outro, n\u00e3o o do ornitorrinco que saiu \u00e0s ruas\u201d - e se o Bolsonarismo nasceu do primeiro, e permanece conosco, cabe a n\u00f3s entender as caracter\u00edsticas desse segundo animal com o qual tamb\u00e9m temos que lidar hoje. Finalmente, em <em>Fragmentos de 2013,<\/em> O coletivo Grupo de Militantes na Neblina pulveriza a busca pelos tra\u00e7os que nos conectam a Junho, oferecendo diversas vinhetas em que quest\u00f5es em aberto, decis\u00f5es reavaliadas, momentos sutis e continuidades inesperadas demonstram a capilaridade temporal e espacial das Jornadas de Junho. Escrevem: \u201cUma janela estava aberta ali. Como saltar por ela?\u201d<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esse m\u00eas foi marcado por uma enorme produ\u00e7\u00e3o de an\u00e1lises discutindo a extens\u00e3o e o sentido de Junho de 2013 e do ciclo nacional de protestos que agora completa 10 anos. 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