{"id":2184,"date":"2023-06-29T10:05:00","date_gmt":"2023-06-29T10:05:00","guid":{"rendered":"https:\/\/alameda.institute\/?p=2184"},"modified":"2026-02-10T21:12:56","modified_gmt":"2026-02-10T21:12:56","slug":"post-scriptum-sobre-o-decimo-aniversario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alameda.institute\/pt\/artigo\/post-scriptum-sobre-o-decimo-aniversario\/","title":{"rendered":"Post-scriptum sobre o d\u00e9cimo anivers\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-post-date has-small-font-size\"><time datetime=\"2023-06-29T10:05:00+00:00\">29 de junho de 2023<\/time><\/div>\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/alameda.institute\/wp-content\/smush-webp\/2023\/06\/3-1024x576.png.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-2292\" style=\"width:798px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/alameda.institute\/wp-content\/smush-webp\/2023\/06\/3-1024x576.png.webp 1024w, https:\/\/alameda.institute\/wp-content\/smush-webp\/2023\/06\/3-300x169.png.webp 300w, https:\/\/alameda.institute\/wp-content\/smush-webp\/2023\/06\/3-768x432.png.webp 768w, https:\/\/alameda.institute\/wp-content\/smush-webp\/2023\/06\/3-1536x864.png.webp 1536w, https:\/\/alameda.institute\/wp-content\/smush-webp\/2023\/06\/3-18x10.png.webp 18w, https:\/\/alameda.institute\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/3-150x85.png 150w, https:\/\/alameda.institute\/wp-content\/smush-webp\/2023\/06\/3-600x338.png.webp 600w, https:\/\/alameda.institute\/wp-content\/smush-webp\/2023\/06\/3.png.webp 1600w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Em junho de 2013, a Hist\u00f3ria voltou ao Brasil? <\/em>Das tr\u00eas mai\u00fasculas desse enunciado beirando o surreal, a primeira, depois de conhecer um pouco de tudo em mat\u00e9ria de consagra\u00e7\u00e3o e vilip\u00eandio em sua curta vida narrativa, talvez retorne do limbo a que foi relegada por gregos e troianos, menos pela data redonda do d\u00e9cimo anivers\u00e1rio e muito mais pelo metabolismo das sobras do pesadelo que nos assombra desde a catastr\u00f3fica elei\u00e7\u00e3o de 2018. Voltaremos \u00e0 conjuntura demon\u00edaca que se abriu naquele momento, na excelente formula\u00e7\u00e3o de Felipe Catalani, escrevendo no <em>dia seguinte<\/em>. N\u00e3o sei se ela se fechou, pelo contr\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda mai\u00fascula, anunciando um retorno \u00e9pico de algo cujo eclipse ningu\u00e9m levou a s\u00e9rio, frisa o d\u00edspar e desperta a perplexidade padr\u00e3o diante de enormidades como esta: como assim?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por \u00faltimo, a terceira \u00e9 tanto mais \u00f3bvia e redundante quanto menos identific\u00e1vel foi se tornando seu presum\u00edvel referente, de cuja exist\u00eancia ali\u00e1s o Drummond de 1931-1934 chegou at\u00e9 a duvidar, \u201cnenhum Brasil existe, acaso existem os brasileiros?\u201d. Al\u00e9m do mais, d\u00favida po\u00e9tica modernista lan\u00e7ada justo na abertura de uma d\u00e9cada em que a assim chamada desde ent\u00e3o \u201crealidade brasileira\u201d seria descoberta e confrontada em meio aos escombros da Rep\u00fablica Velha.<\/p>\n\n\n\n<p>Seria o caso de fechar esta adivinha reparando que n\u00e3o foi s\u00f3 a Hist\u00f3ria que supostamente voltou h\u00e1 dez anos atr\u00e1s. Segundo proclama a tr\u00eas por dois a hist\u00f3ria oficial cujo enredo foi retomado h\u00e1 poucos meses, o Brasil tamb\u00e9m voltou, e ao grande teatro do mundo, para come\u00e7ar. Pois aqui a adivinha se enrosca um pouco mais. Ocorre que esta mesma hist\u00f3ria oficial restaurada, que celebra o retorno do Brasil \u00e0 sua identidade original, \u00e9 a mesm\u00edssima fabula\u00e7\u00e3o que atribuiu \u00e0s Jornadas de Junho uma explos\u00e3o negativa, t\u00e3o intensa que provocou um eclipse nacional de dez anos. Conhecemos a can\u00e7\u00e3o: era uma vez uma Caixa de Pandora dentro da qual havia um Ovo, dentro da qual havia uma Serpente etc. Numa palavra, um eclipse de dez anos, uma d\u00e9cada em que n\u00e3o se passa nada, salvo coisas de n\u00e3o, a come\u00e7ar pela viol\u00eancia pol\u00edtica de uma deposi\u00e7\u00e3o presidencial, fermentada na amb\u00edgua pot\u00eancia das ruas e das redes, ali\u00e1s bivalente tal pot\u00eancia, a Hidra de Junho tinha duas cabe\u00e7as. N\u00e3o foi bem assim, n\u00e3o houve liga\u00e7\u00e3o direta como sabemos, n\u00e3o foi pouca coisa o que aconteceu no meio, como mostrou Rodrigo Nunes. Mas ao batizar com rara felicidade essa temporada in\u00e9dita de som e f\u00faria, de \u201cextenso agora\u201d, al\u00e9m de dar o troco \u00e0 melancolia posti\u00e7a do document\u00e1rio de Jo\u00e3o Moreira Salles, deu vida nova a uma no\u00e7\u00e3o que ainda n\u00e3o sabemos identificar: por que \u201cagora\u201d e por que se estende no tempo? Alguma coisa aconteceu no cora\u00e7\u00e3o do tempo brasileiro, notoriamente paralisado em 1964? Seja como for, a onda que levou embora e trouxe de volta a Hist\u00f3ria, n\u00e3o pode ser a mesma que levou e trouxe de volta o pa\u00eds em sua inteireza, desta vez afirmativa. Sem falar, para voltar ao miolo do disparate de partida - um enunciado por enquanto sem pai nem m\u00e3e -, que a Hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 uma entel\u00e9quia que ora se consuma e coincide com seu conceito, ora d\u00e1 marcha r\u00e9 at\u00e9 virar semente.<\/p>\n\n\n\n<p>Como ficamos? Alinhamos um Acontecimento ainda n\u00e3o identificado. Um processo de temporaliza\u00e7\u00e3o desses mesmos acontecimentos e processos subjacentes a que os modernos dar\u00e3o o nome de \u201chist\u00f3ria\u201d, mais ou menos \u00e0s v\u00e9speras da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa. E por fim, o nome pr\u00f3prio de uma comunidade pol\u00edtica imaginada (nos termos originais de Benedict Anderson), uma sociedade nacional, em suma, que n\u00e3o por acaso Marcel Mauss definiu certa vez como uma \u201cespera em comum\u201d. Espera que por sua vez transcorre num tempo social que \u00e9 tudo menos homog\u00eaneo e linear (e nisto nos desviamos de um infeliz trope\u00e7o do Benedict Anderson de h\u00e1 pouco), pelo contr\u00e1rio, move-se aos trancos e barrancos conforme grandes expectativas se aceleram ou s\u00e3o revertidas. E para adiantar o argumento deste <em>post-scriptum<\/em>, Junho foi uma delas. A reviravolta, que para abreviar podemos chamar de bolsonarista, foi outra. Ainda que em sentido irremediavelmente contr\u00e1rios, ambas no entanto grandes expectativas, formando um s\u00f3 bloco agon\u00edstico e antit\u00e9tico, em suma, um \u201cextenso agora\u201d de dez anos, ainda por decifrar sob nova luz, que n\u00e3o as do progressismo iluminista, como v\u00eam dizendo e reprisando em v\u00e3o Miguel Lago e Pedro Rocha de Oliveira. Ora, numa determinada esquina do curso do mundo, esse \u201cregime de historicidade\u201d (Fran\u00e7ois Hartog) se desmanchou. As datas variam, bem como o diagn\u00f3stico do fen\u00f4meno.<\/p>\n\n\n\n<p>Pois bem. A mai\u00fascula central com a qual abrimos esta Nota sobre o d\u00e9cimo anivers\u00e1rio nos permite, e mesmo obriga, a gravitar em torno da mais celebrada e escarnecida tirada a respeito desses substantivos monumentais, o \u201cFim da Hist\u00f3ria\u201d, que afinal vinha acompanhado de um ponto de interroga\u00e7\u00e3o, na exist\u00eancia do qual o estupor dos primeiros leitores n\u00e3o lhes permitiu sequer reparar. Fukuyama, ele mesmo. Ao qual s\u00f3 os muito tolos creditaram \u00e0 insanidade triunfalista de decretar literalmente, com ou sem aspas de rigor, nada mais nada menos do que o fim da hist\u00f3ria, em princ\u00edpio encerrada com o desmoronamento do mundo sovi\u00e9tico e a vit\u00f3ria sem resto do bloco antag\u00f4nico. Deu-se por\u00e9m justamente o contr\u00e1rio da paz perp\u00e9tua dos liberais, e nem foi preciso esperar pela r\u00e9plica culturalista descalibrada de um Huttington para saber que os dividendos da paz seriam pagos noutra moeda. Houve at\u00e9 quem reconhecesse naquele ju\u00edzo de \u00e9poca acerca de um mundo \u00fanico no qual reinaria um capitalismo sem rival, por maior que fossem suas disparidades concorrentes - se capitalismo pol\u00edtico ou de mercado, monitorado \u00e0 dist\u00e2ncia -, quando trocado em mi\u00fados, um verdadeiro e novo Discurso da Guerra, mais exatamente, guerras do fim da hist\u00f3ria. A saber, um continuum de interven\u00e7\u00f5es militares - na verdade, guerras de escolha, al\u00e9m do mais assim\u00e9tricas -, destinadas antes de tudo \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da nova ordem mundial. No limite, opera\u00e7\u00f5es globais de Garantia da Lei e da Ordem, para p\u00f4r na roda o eufemismo consagrado pelo artigo 142 da Constitui\u00e7\u00e3o Brasileira de 1988, al\u00e9m de chamar a aten\u00e7\u00e3o para a amplitude daquele continuum abarcando num s\u00f3 tra\u00e7o inimigos tanto externos quanto internos, p\u00fablicos-alvo em suma, como se a guerra pudesse ser tamb\u00e9m uma pol\u00edtica p\u00fablica, ou a matriz mesmo das que foram plantadas quando a dita Hist\u00f3ria chegou ao seu fim.<\/p>\n\n\n\n<p>Dito isso, duas palavras ainda sobre a dimens\u00e3o da guerra naquele per\u00edodo de eclipse total das paix\u00f5es pol\u00edticas que estamos chamando de \u201cfim da hist\u00f3ria\u201d, com H mai\u00fasculo, \u00e9 claro. Segundo a linha divis\u00f3ria tra\u00e7ada por Fukuyama, do lado iluminado em que se reproduzem as sociedades ditas p\u00f3s-hist\u00f3ricas, o flagelo da guerra entre as grandes pot\u00eancias teria ficado definitivamente para tr\u00e1s como uma rel\u00edquia b\u00e1rbara, ao passo que na zona de sombra em que se debatem as ressentidas sociedades hist\u00f3ricas recalcitrantes, a guerra do povo mi\u00fado recrutado por seus senhores de classe correria solta pelo velho trilho da hist\u00f3ria produtora de desastres. O fosso entre esses dois mundos pode ser medido de sa\u00edda na Primeira Guerra do Golfo de 1991, pela incomensurabilidade do choque beirando o massacre entre uma na\u00e7\u00e3o armada nos tempos idos da periferia quente da Guerra Fria e uma m\u00e1quina <em>alta tecnologia<\/em> de profissionais executando um servi\u00e7o de limpeza de terreno.<\/p>\n\n\n\n<p>Da\u00ed a surpresa, decididamente fora de \u00e9poca e ainda por cima mais devedora do que gostaria dos esquemas de Fukuyama, surpresa surpreendente, por assim dizer, de um esp\u00edrito forte como Adam Tooze, que ainda nas primeiras semanas da guerra da Ucr\u00e2nia se perguntava: mas como assim, uma guerra sa\u00edda do museu da competi\u00e7\u00e3o entre grandes pot\u00eancias? Enfim, estava quase comprando pelo seu valor de face uma das conclus\u00f5es arrevesadas de Fukuyama, segundo a qual n\u00e3o se poderia excluir a hip\u00f3tese extrema de que algum homem forte, e fortemente armado, decidisse abrir \u00e0 for\u00e7a as portas da hist\u00f3ria, cismasse de reintroduzir significado e prop\u00f3sito numa luta existencial por <em>status<\/em> perdido a recuperar. Um figurino sob medida para esse amontoado de clich\u00eas chamado Vladimir Putin.<\/p>\n\n\n\n<p>Nada disso viria ao caso, pelo menos por agora, pois em nossa agoniada d\u00e9cada brasileira de expectativas reviradas pelo avesso temos um encontro marcado com a Ucr\u00e2nia, se Adam Tooze n\u00e3o tivesse reconstitu\u00eddo (Chartbook #109) a circunst\u00e2ncia de uma troca intelectual naquelas primeiras semanas de guerra e que afinal lhe forneceu r\u00e9gua e compasso para compreender que todo \u201cfim da hist\u00f3ria\u201d, pois s\u00e3o muitos os tais \u201cfins\u201d desde que Hegel inventou o primeiro e mostrou a chave dos demais que porventura se apresentassem, cedo ou tarde terminassem e que toda inven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica consiste em saber reconhecer os primeiros sinais de que tal fim da hist\u00f3ria chegou ao fim. N\u00e3o ser\u00e1 demais prolongar o par\u00eanteses lembrando que no Pref\u00e1cio \u00e0 edi\u00e7\u00e3o brasileira do seu recente <em>Grande recorda\u00e7\u00e3o<\/em>, Paolo Gerbaudo, por sua vez, em meio \u00e0 n\u00e9voa da guerra e da emerg\u00eancia geral - da mudan\u00e7a clim\u00e1tica ao buraco negro ucraniano - considera que as m\u00faltiplas crises superpostas que estamos vivendo demonstram que \u201ca m\u00e1quina da hist\u00f3ria voltou a funcionar\u201d, fechando um per\u00edodo monoc\u00f3rdio de realismo capitalista e presentismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Voltando. Pois ent\u00e3o, o nosso Adam Tooze conta que abriu os olhos enquanto choviam m\u00edsseis e engarrafamento de tanques se enfileiravam pelas estradas do inverno ucraniano, ao ler um pequeno livro que n\u00e3o peca pela falta de originalidade - seus autores corrigem at\u00e9 a vulgata hegeliana, como sugerido linhas atr\u00e1s, pois cedo ou tarde um p\u00e9 na porta dispara um <em>reiniciar<\/em> \u2013 <em>O fim da hist\u00f3ria O fim da hist\u00f3ria<\/em> (Hochuli, Hoare e Cunliffe). Os tr\u00eas autores s\u00e3o os primeiros a reconhecer que o t\u00edtulo os precedeu exatos vinte anos, felizmente com o sinal trocado, num artigo hom\u00f4nimo de Fareed Zakaria poucas semanas depois do 11 de setembro, celebrando o Fim do Fim da Hist\u00f3ria como o renascimento superlativo de um novo Estado de Seguran\u00e7a Nacional e sua correspondente proje\u00e7\u00e3o de poder militar num planeta mais uma vez confirmado em sua condi\u00e7\u00e3o de entorno estrat\u00e9gico norte-americano. Passemos. Poucos anos depois, enquanto os Estados Unidos entravam em um trilh\u00e3o no Iraque, um ide\u00f3logo do Novo S\u00e9culo Americano, Robert Kagan, dava outra volta no mesmo parafuso na certeza de que basta uma guerra de escolha sem limites para reabrir as m\u00edticas portas da Hist\u00f3ria (<em>O retorno da hist\u00f3ria<\/em>, 2008). Aqui o <em>marco zero<\/em> estaria se deslocando do Grande Oriente M\u00e9dio para os B\u00e1lc\u00e3s (Kosovo) e da\u00ed para o Leste Europeu. Passemos tamb\u00e9m, embora estejamos no caminho de Moscou, como outrora Napole\u00e3o. (Quem seriam os \u201cdezembristas\u201d do futuro?). Mas passemos antes de tudo \u00e0s raz\u00f5es desse livrinho esperto se encontrarmos nos bastidores da frase hiperb\u00f3lica pela qual come\u00e7amos. Resson\u00e2ncias brasileiras, e sem for\u00e7ar muito a m\u00e3o. E se, na esteira do ano em que o mundo come\u00e7ou a sonhar perigosamente (\u017di\u017eek), quebrando a pasmaceira da calma presentista dos dias, o nosso Junho anunciasse por sua vez algo como o nosso Fim do Fim? Mas n\u00e3o um recome\u00e7o qualquer. Para os autores, \u00e9 evidente que o lapso temporal recoberto pela express\u00e3o \u201cfim da hist\u00f3ria\u201d se encerrou, anunciado em 2016 (Brexit + Trump) e confirmado em 2020 (covid-19), mas tampouco \u00e9 evidente que tenha havido um <em>reiniciar<\/em> \u00e0 altura do nome (dado por Fukuyama, \u00e9 claro) em meio a toda essa desintegra\u00e7\u00e3o e deriva que se sabe, e suas respectivas respostas emergenciais na forma de incont\u00e1veis medidas de exce\u00e7\u00e3o. \u00c0 primeira vista, o caos sist\u00eamico n\u00e3o tem cara de recome\u00e7o, nada que lembre uma disputa pelo futuro como se viu no entreguerras do s\u00e9culo passado, travada \u00e0 beira do abismo entre comunismo, nazi-fascismo e capitalismo de mercado, rec\u00e9m-falido na Grande Depress\u00e3o, justo o contr\u00e1rio da \u201clonga e escura noite do fim da hist\u00f3ria\u201d (Mark Fisher) em que mergulhamos no fim da Primeira Guerra Fria. Seja como for, concluem os autores, depois de mapearem as marchas e contramarchas do perene tumulto pol\u00edtico inintegr\u00e1veis na Era Pac\u00edfica prometida por mais um adeus \u00e0s armas, de uns anos para c\u00e1 est\u00e1 claro que o Fim da Hist\u00f3ria chegou ao fim sem que no entanto a Hist\u00f3ria tenha recome\u00e7ado a sua escalada. Pouco importa, j\u00e1 vimos esse filme antes, n\u00e3o \u00e9 o primeiro fim do Fim da Hist\u00f3ria, assim dizem eles.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo muito bizarro e extravagante? \u00c9 ler para crer. Leia o cap\u00edtulo-guia de nossos tr\u00eas autores, \u201cLearning to Love The End of History\u201d, de Todd McGowan, <em>Emancipa\u00e7\u00e3o ap\u00f3s Hegel<\/em> (2019). N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 o Dr. Strangelove aprendendo a amar a bomba, mas uma vis\u00e3o original e desbravadora da mais disputada das encruzilhadas especulativas hegelianas, nosso cavalo de batalha de agora, o Fim da Hist\u00f3ria. Para Hegel, ele existe sim, mas \u00e9 muito diferente de todos os clich\u00eas de senso comum a seu respeito. Trata-se de um limiar ultrapassado pelo encontro com a liberdade, definida como uma for\u00e7a demolidora da base m\u00edstica de toda autoridade - como diria Pascal -, limiar assinalado pela conflu\u00eancia de tr\u00eas revolu\u00e7\u00f5es, Americana, Francesa e Haitiana, irrevers\u00edvel uma vez ultrapassado pois nenhuma nova ordem social baseada na liberdade se deixa ossificar. Da\u00ed a reviravolta na conceitua\u00e7\u00e3o proposta: o Fim da Hist\u00f3ria finalmente alcan\u00e7ado com as tr\u00eas revolu\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m conhecer\u00e1 o seu fim, relan\u00e7ando o pr\u00f3ximo fim do fim, todos os fins da hist\u00f3ria terminam, e no caso por um renovado <em>Big Bang<\/em> pol\u00edtico, que n\u00e3o por acaso os neoconservadores supracitados identificaram no rein\u00edcio das guerras o tabuleiro das grandes pot\u00eancias, que assim reinventam a Autoridade que a liberdade hegeliana voltar\u00e1 a demolir pela cunha da contradi\u00e7\u00e3o. Tudo para lembrar o que est\u00e1 em jogo na ideia insistente de que vez por outra a hist\u00f3ria teria sido por assim dizer transcendida por um p\u00f3s qualquer. Por \u00faltimo, somos lembrados de que as vis\u00f5es de Hegel, ao contr\u00e1rio do seu decalque por Fukuyama, foram inspiradas por derrotas e n\u00e3o por uma vit\u00f3ria. E dando um salto \u00e0 frente, McGowan arremata essa revis\u00e3o surpreendente, alinhando Jihad e as ondas populistas de extrema-direita do nosso tempo no rol das rea\u00e7\u00f5es neur\u00f3ticas ao Fim da Hist\u00f3ria, nos termos em que Hegel a concebeu, claro, como o fim da hist\u00f3ria fetichista da Autoridade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Deu-se ent\u00e3o o curto-circuito que nos interessa. Sabe-se l\u00e1 por qual concurso de circunst\u00e2ncias, aconteceu de um dos tr\u00eas autores do cen\u00e1rio do duplo fim da hist\u00f3ria, Alex Hochuli, provar ser tamb\u00e9m um competente brasilianista, felizmente ocasional, cobrindo com regularidade e conhecimento de causa as perip\u00e9cias brasileiras na sequ\u00eancia cl\u00e1ssica da chamada agita\u00e7\u00e3o \u201cantipol\u00edtica\u201d, na verdade, o renascimento plebeu da pol\u00edtica, por onde come\u00e7a, na vis\u00e3o dos autores a passagem para o fim do fim onde presentemente vivemos. Nesses termos, nosso Junho entra em cena no quarto cap\u00edtulo do livro, em que \u00e9 descrito o desmoronamento pol\u00edtico do mundo congelado dos vencedores de 1989. Como pano de fundo, a <em>Pax <\/em>lulista e as suas Great Expectations n\u00e3o cumpridas. Pode-se duvidar, inclusive suspeitar, de mais esta variante de um clich\u00ea cl\u00e1ssico sobre revoltas populares - depois do p\u00e3o, espera-se a manteiga. O que importa \u00e9 o fato de terem identificado uma crise inaugural sem data para terminar, uma fieira de crises encadeadas no rumo de um desenlace berlusconiano, mas n\u00e3o s\u00f3, haveria mais, para al\u00e9m da mera bufoneria do \u201c\u00faltimo homem\u201d (Fukuyama, mas tamb\u00e9m Nietzsche requentado). A cadeia alimentar do niilismo (vers\u00e3o Wendy Brown), culminaria em Bolsonaro.<\/p>\n\n\n\n<p>A bifurca\u00e7\u00e3o que nos interessa entretanto \u00e9 outra. Em suas cogita\u00e7\u00f5es de brasilianista pol\u00edtico, Alex Hochuli finalmente se deparou com um fen\u00f4meno identificado ainda na primeira metade dos anos 1990 (a data importa, e muito, afinal o Fim da Hist\u00f3ria acabara de entrar em cartaz), identificado e batizado por intelectuais do n\u00facleo org\u00e2nico, de \u201cbrasilianiza\u00e7\u00e3o do mundo\u201d, e sobre a qual publicou um artigo na <em>Assuntos americanos<\/em> de maio de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>Vale um breve resumo dessa revers\u00e3o de expectativas, pois afinal \u00e9 disso que se trata, para situar melhor a mudan\u00e7a de foco operada pela percep\u00e7\u00e3o bizarra de que a \u201chist\u00f3ria\u201d poderia estar de volta, e n\u00f3s no meio da f\u00e1bula. N\u00e3o saberia dizer ao certo quem primeiro recorreu a esse termo de compara\u00e7\u00e3o e \u00edndice seguro de rebaixamento. Como tomarei como refer\u00eancia maior os presumidos trinta anos gloriosos de consolida\u00e7\u00e3o do capitalismo do Norte do Atl\u00e2ntico vitorioso na Segunda Guerra, n\u00e3o surpreende, salvo pela precoce consci\u00eancia cr\u00edtica, que a certid\u00e3o de nascen\u00e7a da express\u00e3o possa ser atribu\u00edda sem erro a um franc\u00eas, ali\u00e1s e por isso mesmo, bom conhecedor das \u201cdualiza\u00e7\u00f5es\u201d que fraturavam sociedades ditas ent\u00e3o avan\u00e7adas, Fran\u00e7a, Estados Unidos e Inglaterra, retorno violento de algo recalcado particularmente vis\u00edvel nos bairros sens\u00edveis das metr\u00f3poles, um despertar traumatizante para as sociedades que descobriram, \u00e0 contracorrente do renascimento civilizador profetizado por Norbert Elias, que n\u00e3o eram nem coesas nem igualit\u00e1rias, e muito menos pac\u00edficas, dilaceradas por viol\u00eancias vindas de baixo e novas press\u00f5es repressivas pelo alto, encarceramento de massa em seus prim\u00f3rdios, por exemplo. Estou me referindo ao antrop\u00f3logo Lo\u00efc Wacquant, um dos primeiros a se dar conta de que essa onda punitiva, desencadeada por sociedades nas quais o capitalismo parecia enfim ter dado certo, n\u00e3o mirava enclaves infrapol\u00edticos, nem sobras coloniais do falecido Terceiro Mundo, tampouco express\u00f5es irracionais e at\u00e1vicas de incivilidade da crescente ingovernabilidade dos p\u00fablicos-alvo turbulentos, que ent\u00e3o teimavam na demanda por emprego decente, escolas idem, moradia, acesso a servi\u00e7os p\u00fablicos e sobretudo pol\u00edcia com menos trucul\u00eancia e esculacho, enfim, menos submarinos nucleares e mais sa\u00fade etc. Familiar, n\u00e3o? Como esta frase registrada pelo <em>Guardi\u00e3o<\/em> em 1992: \u201cSe brigar com os tiras \u00e9 a \u00fanica forma de ser ouvido, ent\u00e3o vamos brigar com eles\u201d. Baderna pura. Tudo isso dito, e muito mais, Wacquant concluiu sua confer\u00eancia na Anpocs de 1993. Isso mesmo, em Caxambu: descontadas as evidentes decalagens hist\u00f3ricas, indubitavelmente as metr\u00f3poles europ\u00e9ias e norte-americanas se brasilianizavam. Sem muito exagero e mal-comparando, um enorme e recorrente Junho sacudira uma grande miragem que chegava ao fim. Mas como o grande condom\u00ednio da Bomba - ela mesma, cuja explos\u00e3o j\u00e1 anuncia o princ\u00edpio do fim do futuro, bem como o in\u00edcio de uma \u00e9poca hist\u00f3rica para acabar com todas as \u00e9pocas, dito s\u00f3 para lembrar com quantos significados se fazem um Fim da Hist\u00f3ria, e isso desde Hegel - veio abaixo primeiro no sucateado mundo sovi\u00e9tico, o estrondo daquela cat\u00e1strofe geopol\u00edtica encobriu o crac-crac da fratura exposta que convertia o lado vencedor numa n\u00e3o-sociedade sem alternativa. N\u00e3o creio estar for\u00e7ando demais a m\u00e3o, se observar que os trinta anos de capitalismo organizado, e organizado pelo Estado para impedir o segundo <em>greve<\/em> da Grande Depress\u00e3o, foram o nosso primeiro Fim da Hist\u00f3ria, sem tirar nem por, induzido inclusive por uma sa\u00edda inconclusiva de guerra, ali\u00e1s em dois tempos, pois come\u00e7ara em 1914.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E aqui vamos n\u00f3s: o que mais poderiam anunciar as rachaduras turbulentas da \u201cbrasilianiza\u00e7\u00e3o\u201d - menos queda do que uma converg\u00eancia no desmoronamento - do que um outro primeiro Fim do Fim da Hist\u00f3ria? Pois uma gera\u00e7\u00e3o depois, mais ou menos trinta anos, se quisermos, foi mais uma vez com esse mesm\u00edssimo desfecho com o qual se defrontou o nosso Alex e prontamente o reconheceu na \u201cbrasilianiza\u00e7\u00e3o\u201d em curso. A ser assim, daria at\u00e9 para dizer que desde 1945, e sempre na sa\u00edda de um grande conflito mundial, pelo menos e com certeza, duas ondas se formaram nas quais se depositaram as Great Expectations do tempo. Para se ter uma ideia da dimens\u00e3o das expectativas superpostas, basta lembrar que elas abrigaram, em decorr\u00eancia da guerra, o longo e crucial processo de Descoloniza\u00e7\u00e3o, para mais adiante fazerem uma n\u00e3o menos momentosa experi\u00eancia de revers\u00e3o, como acabamos de assinalar no caso das tr\u00eas d\u00e9cadas gloriosas, como a nomeiam os franceses. (N\u00e3o posso evidentemente puxar o fio material desse desfazimento, a come\u00e7ar pelas promessas de uma sociedade salarial que nunca se completa, seja dito para lembrar que esses grandes encaminhamentos das expectativas humanas, para dar o verdadeiro nome da Pol\u00edtica, n\u00e3o s\u00e3o feitos apenas com a mat\u00e9ria de que s\u00e3o feitos os sonhos, embora tamb\u00e9m o sejam).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na sa\u00edda seguinte, a da Primeira Guerra Fria, a bolha das Great Expectations cresceu at\u00e9 o limite da \u00faltima utopia (Samuel Moyn), a dos direitos humanos e seus derivados, para esvaziar aos primeiros sinais de uma (segunda?) \u201cbrasilianiza\u00e7\u00e3o\u201d, por sua vez sinal mais ruidoso de uma mir\u00edade de decomposi\u00e7\u00f5es, bem elencadas por Alex em seu ensaio. No mundo europeu esse passo adiante foi encarado como uma \u201cGrande Regress\u00e3o\u201d (sic). Tal o choque com a ascens\u00e3o (sempre resist\u00edvel ou irresist\u00edvel...) da extrema-direita. Como lembrado, essa a data do mais recente Fim do Fim, sem recome\u00e7o \u00e0 vista do que quer que seja que possamos chamar hist\u00f3ria com mai\u00fascula: apenas protestos, revoltas, levantes e o que mais vier de sedicioso \u00e0 esquerda ou \u00e0 direita extrema, como Alex Hochuli encerra seu mapa da \u201cbrasilianiza\u00e7\u00e3o\u201d do mundo, ao qual faltaria acrescentar as derradeiras contribui\u00e7\u00f5es do bolsonarismo, ou melhor, tend\u00eancias de base \u00e0s quais deu express\u00e3o plena, o novo sistema jagun\u00e7o (Gabriel Feltran) e o capitalismo de capataz (Rodrigo Nunes), admitindo que sem Junho n\u00e3o haveria o grande despertar do cidad\u00e3o de bem, primeiro \u201ccoxinha\u201d, finalmente \u201cpatriota armado\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sendo a Periferia o lugar em que o futuro se revela, chegamos todos juntos ao Fim do Fim da Hist\u00f3ria, passamos a pulsar na mesma temporalidade, cuja mola propulsora voltou a acelerar no vazio de um \u201cregime de historicidade\u201d que alguns est\u00e3o chamando de apocal\u00edptico (Lazzarato), querendo dizer com isso, entre tantas outras coisas que se perdem na noite dos tempos, vontade de abrir o gatilho. Respeitada a natureza das met\u00e1foras, Junho foi esse gatilho, e continuou sendo durante dez anos. Dito isso, ainda n\u00e3o sabemos, e s\u00f3 nos resta imaginar, como nossos autores reagiram \u00e0 pergunta literalmente desaparafusada da qual partimos: a Hist\u00f3ria voltou mesmo ao Brasil depois de Junho?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>*<\/p>\n\n\n\n<p>Na explos\u00e3o da primeira hora, o primeiro a cair por terra foi justamente a mai\u00fascula da hist\u00f3ria. A mesma \u00e0 qual Fukuyama erigira um monumento equestre - lembrai-vos de Napole\u00e3o em Iena sob a janela do fil\u00f3sofo. S\u00f3 que se tratava, como lembrado, por\u00e9m \u00e0 contracorrente do hegelianismo <em>Pr\u00eat-\u00e0-porter<\/em>de uma profana\u00e7\u00e3o da base m\u00edstica da autoridade. E foi justamente o que ocorreu. Como proclamaram militantes em meio \u00e0 n\u00e9voa da guerra que recome\u00e7ava, <em>Junho quebrou o feiti\u00e7o<\/em>: \"a hist\u00f3ria que parecia estar de f\u00e9rias, voltou - e passou a sacudir tudo\". Mas quem, ou o qu\u00ea, exatamente, voltou de f\u00e9rias? E teria voltado para seu antigo ninho condoreiro \u00e0s alturas? Se a Hist\u00f3ria ainda fosse uma crian\u00e7a, a hist\u00f3ria seria outra. Me explico, com a m\u00e3o de gato de Adorno, na tradu\u00e7\u00e3o de Gabriel Cohn:<\/p>\n\n\n\n<p>\"\u00c0 crian\u00e7a que volta das f\u00e9rias a casa parece nova, fresca, festiva. Nada se alterou nela, contudo, desde quando ela a deixou. S\u00f3 que havia sido esquecido o dever que cada m\u00f3vel, cada janela, cada l\u00e2mpada normalmente invoca, reconstituindo assim a sua paz sab\u00e1tica, e por minutos est\u00e1-se em casa na sequ\u00eancia de quartos, c\u00e2maras e corredor, tal como no resto da vida s\u00f3 a mentira afirma. N\u00e3o ser\u00e1 outra, algum dia, a apar\u00eancia do mundo, quase intacto na luz firme do seu feriado, quando n\u00e3o mais estiver sob o imperativo do trabalho e no retorno ao lar o dever for t\u00e3o leve como o jogo nas f\u00e9rias.\"<br>Deve ter sido um desses Dimanche de la Vie que Raymond Queneau vislumbrou ao preparar a edi\u00e7\u00e3o das aulas do Koj\u00e8ve sobre a <em>Fenomenologia<\/em>. Como na hora ag\u00e1 min\u00fasculo de junho tamb\u00e9m deve ter sido esse o sentimento do mundo prevalecente, que sem erro os hierarcas da esquerda oficial logo farejaram, o tiro curto e sem futuro dos desvios infantis de sempre. N\u00e3o parece nada casual, pelo contr\u00e1rio, quase uma quest\u00e3o de m\u00e9todo, que o \"sinal da virada\" tamb\u00e9m compare\u00e7a em Bloch metaforizado por uma recorda\u00e7\u00e3o infantil, a mem\u00f3ria de crian\u00e7as saltando quando, rasgando a sala silenciosa e oca, a campainha da casa soava: e se aquilo que obscuramente se tem em mente, aquilo que procuramos e que, por sua vez, nos procura, tiver chegado? O som dessa campanha permanece em cada ouvido, um chamado vindo de fora no qual ressoa \"um novo tempo\". A for\u00e7a das coisas entretanto logo ensinou que a expectativa por si s\u00f3 n\u00e3o traz consigo esse tempo novo. Ou por outra, esse novo tempo brasileiro se apresentou sim e j\u00e1 dura uma d\u00e9cada, dez anos de uma conjuntura demon\u00edaca pedindo identifica\u00e7\u00e3o. Mas esta, literalmente, j\u00e1 \u00e9 uma outra hist\u00f3ria. (Continua, claro)<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em Junho de 2013, a Hist\u00f3ria voltou ao Brasil? 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