{"id":2195,"date":"2023-06-27T10:05:00","date_gmt":"2023-06-27T10:05:00","guid":{"rendered":"https:\/\/alameda.institute\/?p=2195"},"modified":"2026-02-10T21:21:55","modified_gmt":"2026-02-10T21:21:55","slug":"o-ovo-do-ornitorrinco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alameda.institute\/pt\/artigo\/o-ovo-do-ornitorrinco\/","title":{"rendered":"O ovo do ornitorrinco"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-post-date has-small-font-size\"><time datetime=\"2023-06-27T10:05:00+00:00\">27 de junho de 2023<\/time><\/div>\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/alameda.institute\/wp-content\/smush-webp\/2023\/06\/O-ovo-do-ornitorrinco-1024x576.png.webp\" alt=\"Ludmila Costhek Abilio\" class=\"wp-image-2287\" style=\"width:773px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/alameda.institute\/wp-content\/smush-webp\/2023\/06\/O-ovo-do-ornitorrinco-1024x576.png.webp 1024w, https:\/\/alameda.institute\/wp-content\/smush-webp\/2023\/06\/O-ovo-do-ornitorrinco-300x169.png.webp 300w, https:\/\/alameda.institute\/wp-content\/smush-webp\/2023\/06\/O-ovo-do-ornitorrinco-768x432.png.webp 768w, https:\/\/alameda.institute\/wp-content\/smush-webp\/2023\/06\/O-ovo-do-ornitorrinco-1536x864.png.webp 1536w, https:\/\/alameda.institute\/wp-content\/smush-webp\/2023\/06\/O-ovo-do-ornitorrinco-18x10.png.webp 18w, https:\/\/alameda.institute\/wp-content\/smush-webp\/2023\/06\/O-ovo-do-ornitorrinco-150x85.png.webp 150w, https:\/\/alameda.institute\/wp-content\/smush-webp\/2023\/06\/O-ovo-do-ornitorrinco-600x338.png.webp 600w, https:\/\/alameda.institute\/wp-content\/smush-webp\/2023\/06\/O-ovo-do-ornitorrinco.png.webp 1600w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Passados dez anos de junho de 2013, parecem restar mais perplexidades do que respostas. Rapidamente nos deslocamos do Brasil-que-ia-finalmente-dar-certo para o ser\u00e1-preciso-d\u00e9cadas-para-recuperar-o-preju\u00edzo.  A imagem de 2013 que volta agora \u00e9 a das ruas, mas tamb\u00e9m daquele gigante imenso de pedra que surgia da paisagem do Rio de Janeiro e saia andando sem ver onde pisava. A mensagem da propaganda de u\u00edsque parecia mais adequada do que a imagem do Cristo Redentor decolando como um foguete, como retratou a The Economist. Naquela d\u00e9cada, o <em>Continue andando<\/em> poderia ser compreendido pelo o que Andr\u00e9 Singer definiu como <em>reformismo fraco<\/em><sup class=\"modern-footnotes-footnote\" data-mfn=\"1\" data-mfn-post-scope=\"00000000000007390000000000000000_2195\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000007390000000000000000_2195-1\">1<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000007390000000000000000_2195-1\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"1\">SINGER, A. Os sentidos do lulismo: reforma gradual e pacto conservador. S\u00e3o Paulo : Cia das Letras, 2012.<\/span>. Em suma, sem tocar nas desigualdades profundas que estruturam a sociedade brasileira, o modelo de desenvolvimento em curso resultava em melhorias de vida significativas para grande parte da popula\u00e7\u00e3o. Seus principais elementos eram a redu\u00e7\u00e3o da pobreza, redu\u00e7\u00e3o das taxas de desemprego, aumento do emprego formal, um in\u00e9dito aumento real do sal\u00e1rio m\u00ednimo e aumento do potencial de consumo das fam\u00edlias brasileiras, alavancado tamb\u00e9m pela massiva extens\u00e3o do acesso ao cr\u00e9dito. As mudan\u00e7as corriam articuladas com elementos atuais do ser periferia num mundo financeirizado e digitalizado: a na\u00e7\u00e3o cumpria seu papel de p<em>lataforma de valoriza\u00e7\u00e3o financeira,<\/em> como definiu Leda Paulani<sup class=\"modern-footnotes-footnote\" data-mfn=\"2\" data-mfn-post-scope=\"00000000000007390000000000000000_2195\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000007390000000000000000_2195-2\">2<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000007390000000000000000_2195-2\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"2\">PAULANI, L. Quando o medo vence a esperan\u00e7a. Um balan\u00e7o da pol\u00edtica econ\u00f4mica do governo Lula. Cr\u00edtica Marxista 19: 11-26, 2004.<\/span>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A marcha do progresso \u00e9 a imagem que paira sobre n\u00f3s, perif\u00e9ricos. A marcha do gigante se apresenta de diversas formas de acordo com os momentos hist\u00f3ricos tupiniquins: como amea\u00e7a, horizonte, impossibilidade. O desenvolvimentismo saiu do ba\u00fa onde havia ficado guardado por algumas d\u00e9cadas, elementos como o PAC e a massiva amplia\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o no mercado consumidor sustentavam perspectivas sobre um neodesenvolvimentismo, social-desenvolvimentismo, um keynesianismo \u00e0 brasileira, entre outras defini\u00e7\u00f5es. Todas elas tinham de enfrentar o fato de que o crescimento econ\u00f4mico, o aumento do emprego e da renda n\u00e3o estavam de fato atrelados aos pilares da industrializa\u00e7\u00e3o, que orientaram os modelos e sonhos intensos de desenvolvimento, seus impasses, fracassos e cr\u00edticas ao longo do s\u00e9culo XX. O gigante desperto era feito de soja, min\u00e9rio, boi, e outras commodities tropicais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio do mil\u00eanio, Francisco de Oliveira resumia a \u00f3pera na figura do ornitorrinco<sup class=\"modern-footnotes-footnote\" data-mfn=\"3\" data-mfn-post-scope=\"00000000000007390000000000000000_2195\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000007390000000000000000_2195-3\">3<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000007390000000000000000_2195-3\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"3\">OLIVEIRA, F.&nbsp; <em>Cr\u00edtica \u00e0 raz\u00e3o dualista\/ O ornitorrinco.<\/em> S\u00e3o Paulo : Boitempo, 2003<\/span>. Aquele bicho estranho, formado por diferentes tempos hist\u00f3ricos, inspirava a atualiza\u00e7\u00e3o das nossas persistentes dificuldades em definir o que \u00e9ramos e poder\u00edamos ser, mas mais do que isso, parecia apontar para a impossibilidade da continuidade da reprodu\u00e7\u00e3o das din\u00e2micas que constituem o pr\u00f3prio subdesenvolvimento como tal. Em outras palavras, o <em>Continue andando<\/em> parecia n\u00e3o ter para onde ir. \u201c<em>O ornitorrinco \u00e9 isso: n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de permanecer como subdesenvolvido e aproveitar as brechas que a Segunda Revolu\u00e7\u00e3o Industrial propiciava; n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de avan\u00e7ar, no sentido da acumula\u00e7\u00e3o digital-molecular (...) Restam apenas as acumula\u00e7\u00f5es primitivas...\u201d<\/em><sup class=\"modern-footnotes-footnote\" data-mfn=\"4\" data-mfn-post-scope=\"00000000000007390000000000000000_2195\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000007390000000000000000_2195-4\">4<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000007390000000000000000_2195-4\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"4\">&nbsp;OLIVEIRA, F.&nbsp; <em>Cr\u00edtica \u00e0 raz\u00e3o dualista\/ O ornitorrinco.<\/em> S\u00e3o Paulo : Boitempo, 2003, p.149<\/span>. A ilus\u00e3o do <em>atualizar <\/em>se esfuma\u00e7ava definitivamente. A financeiriza\u00e7\u00e3o engolia os direitos sociais e os fundamentos inalcan\u00e7\u00e1veis daquela triangula\u00e7\u00e3o espec\u00edfica entre capital, Estado e trabalho que formou o Welfare, como os fundos de pens\u00e3o. O assalariamento, pilar da sociedade salarial, deslocava-se agora para a informalidade e a informaliza\u00e7\u00e3o, finalmente reconhecidas como regra, em uma explora\u00e7\u00e3o do trabalho globalmente organizado e transformado pela \u201crevolu\u00e7\u00e3o molecular-digital\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Da \u201cnova classe m\u00e9dia\u201d aos \u201cnovos pobres\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No modelo de desenvolvimento das gest\u00f5es do Partido dos Trabalhadores, nasceu um filhote de ornitorrinco, a \u201cnova classe m\u00e9dia brasileira\u201d<sup class=\"modern-footnotes-footnote\" data-mfn=\"5\" data-mfn-post-scope=\"00000000000007390000000000000000_2195\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000007390000000000000000_2195-5\">5<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000007390000000000000000_2195-5\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"5\"> NERI, Marcelo C. <em>A nova classe m\u00e9dia: o lado brilhante dos pobres. <\/em>Rio de Janeiro:  FGV\/ CPS, 2010, SAE. <em>Assuntos estrat\u00e9gicos: social e renda, a classe m\u00e9dia brasileira<\/em>. Bras\u00edlia : SAE, 2014; e SAE. <em>Vozes da nova classe m\u00e9dia. <\/em>Caderno 3. Bras\u00edlia : SAE, abril de 2013. <\/span>.Tratou-se de celebrar de forma obscura as melhorias promovidas naquela d\u00e9cada. Distante do padr\u00e3o de vida da classe m\u00e9dia<sup class=\"modern-footnotes-footnote\" data-mfn=\"6\" data-mfn-post-scope=\"00000000000007390000000000000000_2195\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000007390000000000000000_2195-6\">6<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000007390000000000000000_2195-6\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"6\">QUADROS, W. Paralisia econ\u00f4mica, retrocesso social e elei\u00e7\u00f5es. Plataforma Pol\u00edtica Social, 2015. Dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/plataformapoliticasocial.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/TD_WaldirQuadros012015.pdf\">http:\/\/plataformapoliticasocial.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/TD_WaldirQuadros012015.pdf<\/a><\/span>, Em um momento em que a defini\u00e7\u00e3o governamental se refere \u00e0s fam\u00edlias brasileiras que finalmente adquiriram a geladeira nova, que conseguiram colocar acabamento em suas casas, que viram seus filhos, jovens e negros, acessarem o ensino superior privado. Como resumiu Fernando, entrevistado em novembro de 2013, tinha 48 anos, era motoboy h\u00e1 16:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p style=\"padding:10px 0px 10px 80px; font-size:12px;\">\u201c<em>Hoje eu posso dizer que sou da classe m\u00e9dia, hoje eu posso comer... hoje eu durmo... como que \u00e9 a piada... hoje eu sonho, antes eu nem dormia<\/em>. <em>A gente tem hoje uns barraquinhos pra gente morar que \u00e9 da gente mesmo. \u00c9 nosso mesmo. Moro na Parada de Taipas, \u00e9 zona Norte. Hoje a gente tem o cantinho da gente, tem a fam\u00edlia amparada, tem um carrinho usado, mas \u00e9 da gente. \u00c9 comprado, conseguimos pagar o financiamento, \u00e9 quitado. Coisa que a gente n\u00e3o tinha acesso, era muito dif\u00edcil. Eu costumo brincar com o pessoal, fiquei praticamente 16 anos sem ir no Nordeste visitar, agora at\u00e9 de avi\u00e3o eu j\u00e1 fui... Praia, pra gente que morava aqui em SP, principalmente a gente que j\u00e1 era do Nordeste, era piada pra n\u00f3s, falava vamos pro Ibirapuera que \u00e9 praia de paulista, chegava l\u00e1 era a praia do pov\u00e3o, o pessoal disfar\u00e7ava. Mas \u00e9 para voc\u00ea ver, hoje, pintou um feriado o mundo acaba, voc\u00ea chega l\u00e1 embaixo, o mundo, o Brasil inteiro t\u00e1 l\u00e1. Voc\u00ea come\u00e7a a conversar, vai ver de onde \u00e9, Norte e Nordeste\u201d<\/em>.<strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Esse per\u00edodo apresentou uma enorme expans\u00e3o do mercado consumidor, que andava junto n\u00e3o apenas com o crescimento dos rendimentos advindos do trabalho, mas com a inser\u00e7\u00e3o financeirizada. Parte importante da popula\u00e7\u00e3o, que mal tinha conta banc\u00e1ria, passava a contar ent\u00e3o com o acesso f\u00e1cil ao cr\u00e9dito e uma ampla bancariza\u00e7\u00e3o. Direitos sociais nunca universalizados chegavam na forma de servi\u00e7os privados popularizados e bens de consumo, agora acess\u00edveis para um p\u00fablico que n\u00e3o sonhava at\u00e9 ent\u00e3o em fazer como a verdadeira classe m\u00e9dia faz, pagar pela sa\u00fade, pela educa\u00e7\u00e3o, trocar o \u00f4nibus pela moto, ter cart\u00e3o de cr\u00e9dito e carro na garagem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em poucos anos, a \u201cnova classe m\u00e9dia\u201d se tornou os \u201cnovos pobres\u201d<sup class=\"modern-footnotes-footnote\" data-mfn=\"7\" data-mfn-post-scope=\"00000000000007390000000000000000_2195\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000007390000000000000000_2195-7\">7<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000007390000000000000000_2195-7\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"7\">G1. Brasil ter\u00e1 at\u00e9 3,6 milh\u00f5es de \u2018novos pobres\u2019 em 2017, diz Bird. Mar\u00e7o de 2017.<\/span>, arrastada por uma regress\u00e3o social que j\u00e1 dava sinais em 2014<sup class=\"modern-footnotes-footnote\" data-mfn=\"8\" data-mfn-post-scope=\"00000000000007390000000000000000_2195\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000007390000000000000000_2195-8\">8<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000007390000000000000000_2195-8\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"8\">QUADROS, W. Paralisia econ\u00f4mica, retrocesso social e elei\u00e7\u00f5es. Plataforma Pol\u00edtica Social, 2015. Dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/plataformapoliticasocial.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/TD_WaldirQuadros012015.pdf\">http:\/\/plataformapoliticasocial.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/TD_WaldirQuadros012015.pdf<\/a> e QUADROS, W. &amp; FACHIN, P. Est\u00e1 em curso um retrocesso social em cascata. Entrevista especial com Waldir Quadros. <em>Entrevistas IHU Online, <\/em>2015. Dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/541562-esta-em-curso-um-retrocesso-social-em-cascata-entrevista-especial-com-waldir-quadros\">http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/541562-esta-em-curso-um-retrocesso-social-em-cascata-entrevista-especial-com-waldir-quadros<\/a> <\/span> . Deslizou do acesso ao cr\u00e9dito ao endividamento, da favela <em>deten\u00e7\u00e3o<\/em> ao aux\u00edlio emergencial, do primeiro emprego ao <em>garoto da bicicleta<\/em>, do Prouni ao Uber. As conquistas desse estrato da popula\u00e7\u00e3o - que em realidade abarca a maioria dos brasileiros - foram embora mais r\u00e1pidas do que chegaram.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A \u201cnova classe m\u00e9dia\u201d foi para as ruas em 2013, em 2015 para apoiar e derrubar Dilma, em 2018 e 2022 para votar tanto em Lula quanto em Bolsonaro. \u201cOs novos pobres\u201d tamb\u00e9m foram \u00e0 Bras\u00edlia em janeiro de 2023. Assim como o governo obscureceu que a classe trabalhadora brasileira \u00e9 composta em sua grande maioria de gente que vive com renda familiar de at\u00e9 dois sal\u00e1rios m\u00ednimos, parte importante do pensamento de esquerda tende a invisibilizar essa mesma classe. Os descart\u00e1veis sociais, a ral\u00e9 e os batalhadores, o subproletariado, o precariado, foram raramente tidos como protagonistas nos eventos dessa d\u00e9cada, por vezes reconhecidos como uma esp\u00e9cie de ap\u00eandice de uma verdadeira classe m\u00e9dia doida e enfurecida, como massa de manobra de uma elite escravocrata que surpreendentemente n\u00e3o quer lucrar com os novos consumidores, ou, no m\u00e1ximo, rebanho de pastores evang\u00e9licos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00e3o era s\u00f3 pelos 0,20 centavos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Dentre muitas coisas, uma esp\u00e9cie de esgotamento popular daquele modelo de desenvolvimento era encenada nas cartolinas de junho com seus dizeres precisos sobre as injusti\u00e7as e brutalidades sociais contempor\u00e2neas. Tr\u00eas anos depois, as escolas de S\u00e3o Paulo estariam ocupadas, numa ofensiva estudantil que deixou nosso atual vice-presidente e nosso \u201cXand\u00e3o\u201d de m\u00e3os atadas para mais um ataque neoliberal, e que ousou imaginar e viver mesmo que por um breve per\u00edodo uma outra escola. As frases t\u00e3o sint\u00e9ticas como o slogan do u\u00edsque diziam muito, n\u00e3o sabemos se num pedido por mais Estado ou por menos finan\u00e7as, mas certamente que por mais justi\u00e7a e igualdade social. Que justi\u00e7a, qual igualdade \u00e9 algo que n\u00e3o poderemos enquadrar nas caixinhas do Estado do Bem Estar Social, tampouco nas de um projeto revolucion\u00e1rio, a despeito da pot\u00eancia real de derrubar <em>tudo que est\u00e1 a\u00ed<\/em> que se materializou do dia para a noite em todos os cantos do pa\u00eds.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas para a classe-trabalhadora-nova-classe-m\u00e9dia o que havia se esgotado afinal? O susto n\u00e3o foi pequeno, afinal o gigante parecia caminhar direitinho, apesar da crise econ\u00f4mica que j\u00e1 come\u00e7ava a dar sinais. Apesar das reais melhorias de vida, as desigualdades seguiram as mesmas. A concentra\u00e7\u00e3o de renda n\u00e3o se alterou<sup class=\"modern-footnotes-footnote\" data-mfn=\"9\" data-mfn-post-scope=\"00000000000007390000000000000000_2195\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000007390000000000000000_2195-9\">9<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000007390000000000000000_2195-9\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"9\"> MEDEIROS, M.; SOUZA, P. H.G &amp; CASTRO, F. A. O topo da distribui\u00e7\u00e3o de renda no Brasil: Primeiras estimativas com dados tribut\u00e1rios e compara\u00e7\u00e3o com pesquisas domiciliares (2006-2012). DADOS - Revista de Ci\u00eancias Sociais, Rio de Janeiro, vol. 58, n.1, 2015, p. 7-36.<\/span>. As desigualdades raciais que estruturam o mercado de trabalho permaneceram intocadas, a concentra\u00e7\u00e3o da maioria dos trabalhadores nas faixas de menor rendimento seguiu igual<sup class=\"modern-footnotes-footnote\" data-mfn=\"10\" data-mfn-post-scope=\"00000000000007390000000000000000_2195\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000007390000000000000000_2195-10\">10<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000007390000000000000000_2195-10\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"10\">CARDOSO, A. M. Ensaios de sociologia do mercado de trabalho brasileiro. Rio de Janeiro: FGV, 2013.<\/span>. Tudo mudou, mas permaneceu no mesmo lugar. No mundo do trabalho, as brutalidades, perversidades e humilha\u00e7\u00f5es cotidianas que atravessam a vida de trabalhadores formais e informais seguiram soltas. Com o mercado de trabalho aquecido, o que se transformava era a possibilidade de resistir a elas, de poder recus\u00e1-las e transitar por diferentes ocupa\u00e7\u00f5es, que, entretanto, continuavam tendo sua maior remunera\u00e7\u00e3o de at\u00e9 1,5 sal\u00e1rio m\u00ednimo. Negros e negras viram o seu acesso ao ensino superior se ampliar, as batalhas em torno da representatividade ganharem corpo e se materializarem nos telejornais, na boneca negra que antes n\u00e3o existia nas lojas, nas lutas pelo direito a mem\u00f3ria e por uma outra hist\u00f3ria que at\u00e9 hoje disputam de forma do\u00edda e freada um lugar nos livros did\u00e1ticos, nas salas de aula. Mas a matan\u00e7a seguiu, o esfolamento cotidiano seguiu, nesse pa\u00eds em que at\u00e9 mesmo o apartheid social \u00e9 informalizado, mas muito bem organizado e institucionalizado.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Da revolta \u00e0 informaliza\u00e7\u00e3o como modo de governo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Naqueles dias de junho vimos em ato como a a\u00e7\u00e3o popular poderia derrubar um governo, apesar de n\u00e3o parecer querer tomar o poder. Mas o que veio foi um governo que governava implodindo a si pr\u00f3prio, numa rebeldia agora institucionalizada. Assim como as tradicionais pr\u00e1ticas pol\u00edticas da esquerda, a revolta deslizou para o lado de l\u00e1. \u00c9 dif\u00edcil fixar a imagem desse espelho t\u00e3o enigm\u00e1tico, que transforma MPL em MBL, que transmuta defesa da ordem em tarefa da esquerda e derrubada geral na da direita.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O ovo da serpente que come\u00e7ava a ganhar corpo em 2013 \u00e9 outro, n\u00e3o o do ornitorrinco que saiu \u00e0s ruas. Ao olhar, ao longo de sua obra, para a neblina<sup class=\"modern-footnotes-footnote\" data-mfn=\"11\" data-mfn-post-scope=\"00000000000007390000000000000000_2195\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000007390000000000000000_2195-11\">11<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000007390000000000000000_2195-11\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"11\"> OLIVEIRA, F. Passagem na neblina. In: STEDILE, Jo\u00e3o P.; GENO\u00cdNO, Jos\u00e9 (orgs.) <em>Classes sociais em mudan\u00e7a e a luta pelo socialismo<\/em>. S\u00e3o Paulo : Perseu Abramo, 2000.<\/span>, o ornitorrinco<sup class=\"modern-footnotes-footnote\" data-mfn=\"12\" data-mfn-post-scope=\"00000000000007390000000000000000_2195\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000007390000000000000000_2195-12\">12<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000007390000000000000000_2195-12\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"12\"> OLIVEIRA, F.&nbsp; <em>Cr\u00edtica \u00e0 raz\u00e3o dualista\/ O ornitorrinco.<\/em> S\u00e3o Paulo : Boitempo, 2003<\/span>&nbsp; e a indetermina\u00e7\u00e3o<sup class=\"modern-footnotes-footnote\" data-mfn=\"13\" data-mfn-post-scope=\"00000000000007390000000000000000_2195\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000007390000000000000000_2195-13\">13<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000007390000000000000000_2195-13\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"13\">OLIVEIRA, F. Pol\u00edtica numa era de indetermina\u00e7\u00e3o: opacidade e reencantamento. In: Oliveira e Rizek. C. <em>A era da indetermina\u00e7\u00e3o.<\/em> S\u00e3o Paulo: Boitempo Editorial, 2007 <\/span>, Francisco de Oliveira reconhece essa perda de formas que vai tomando o mundo do trabalho, como parte do aprofundamento da explora\u00e7\u00e3o. Quanto menos est\u00e1veis, fix\u00e1veis e reconhec\u00edveis forem os elementos que comp\u00f5em o processo de trabalho, mais produtivo ele \u00e9.  A gest\u00e3o de Bolsonaro nos evidencia que a informaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 incorporada como forma de governo, envolvendo t\u00e9cnicas racionalizadas, produtivas, que produzem engajamento permanente e atingem certeiramente as metas definidas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A explica\u00e7\u00e3o f\u00e1cil para o Bolsonarismo mira na m\u00e1quina infernal de produ\u00e7\u00e3o de <em>not\u00edcias falsas<\/em>. Essa m\u00e1quina - que envolve muito trabalho humano, diga-se de passagem - nos d\u00e1 materialidade sobre um quadro muito mais amplo, que se refere aos novos modos de gest\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o. O que est\u00e1 em jogo \u00e9 um deslizamento dif\u00edcil de reconhecer e classificar - e esta \u00e9 sua pot\u00eancia. Ao analisar as jornadas de junho, Jean Tible<sup class=\"modern-footnotes-footnote\" data-mfn=\"14\" data-mfn-post-scope=\"00000000000007390000000000000000_2195\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000007390000000000000000_2195-14\">14<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000007390000000000000000_2195-14\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"14\"> TIBLE, J. Junho selvagem e o ciclo de lutas global <em>- <\/em>Revista Jacobin: <a href=\"https:\/\/jacobin.com.br\/2023\/06\/junho-selvagem-e-o-ciclo-de-lutas-global\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/jacobin.com.br\/2023\/06\/junho-selvagem-e-o-ciclo-de-lutas-global\/<\/a><\/span>afirma que por um momento o que se colocou foi a possibilidade de ruptura com o contrato social. Uma ruptura popular. Este \u00e9 o diagn\u00f3stico invertido de Shoshana Zuboff sobre o <em>capitalismo de vigil\u00e2ncia<\/em>, mas a ruptura vem das empresas que hoje oligopolizam a datafica\u00e7\u00e3o da vida. Com uma certa saudade liberal, a autora faz o diagn\u00f3stico preciso de novos modos de governo que colonizam todas as esferas da vida, e que se assentam em novas l\u00f3gicas que j\u00e1 n\u00e3o passam pelas rela\u00e7\u00f5es contratuais que unem capitalismo industrializado e democracia. Da Ford para a Google. A autora vai dizer: \u201c<em>A participa\u00e7\u00e3o consensual nos valores dos quais a autoridade leg\u00edtima \u00e9 derivada, juntamente com o livre-arb\u00edtrio e os direitos e obriga\u00e7\u00f5es rec\u00edprocos, \u00e9 substitu\u00edda pelo equivalente universal da tornozeleira eletr\u00f4nica do prisioneiro<\/em>\u201d<sup class=\"modern-footnotes-footnote\" data-mfn=\"15\" data-mfn-post-scope=\"00000000000007390000000000000000_2195\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000007390000000000000000_2195-15\">15<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000007390000000000000000_2195-15\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"15\">ZUBOFF, S. Big other: capitalismo de vigil\u00e2ncia e perspectivas para uma civiliza\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o. <em>Em: <\/em>Bruno, F., Cardoso, B., Kanashiro, M., Guilhon, L., Melga\u00e7o, L. (orgs.) <em>Tecnopol\u00edticas da vigil\u00e2ncia: Perspectivas da margem<\/em>. S\u00e3o Paulo, Brasil: Boitempo, 2018, p.59<\/span>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Essas empresas recusam <em>tudo que est\u00e1 a\u00ed<\/em> estabelecendo novas formas de controle e gerenciamento de popula\u00e7\u00f5es. Com elas se estabelecem fen\u00f4menos sociais de dif\u00edcil explica\u00e7\u00e3o, como \u00e9 poss\u00edvel se apropriarem do espa\u00e7o urbano, subordinarem milh\u00f5es de pessoas, criarem novos meios de produ\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o, convergirem sua extra\u00e7\u00e3o, mercantiliza\u00e7\u00e3o e gerenciamento de dados com servi\u00e7os p\u00fablicos, com o aparato burocr\u00e1tico estatal, sem que passem por qualquer tipo de regula\u00e7\u00e3o <em>a priori<\/em>? Aparecem como mediadoras em diversos campos, mas det\u00eam as regras do jogo. As regras, entretanto, se informalizaram, j\u00e1 n\u00e3o alcan\u00e7amos como operam, como s\u00e3o definidas, como s\u00e3o produzidas, a que interesses atendem. J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o Estado que lhes confere legalidade, legitimidade ou procedimentos que garantem a confian\u00e7a. \u00c9 a atividade da multid\u00e3o de usu\u00e1rios que prov\u00ea certifica\u00e7\u00f5es, controle de produtividade e qualidade, modos informalizados de constru\u00e7\u00e3o da confian\u00e7a que passam ao largo do Estado. A multid\u00e3o se engaja e confia em seu pr\u00f3prio trabalho-vigilante, enquanto multid\u00e3o. S\u00e3o constitu\u00eddas ent\u00e3o legitimidades informalizadas, que concorrem e deixam no chinelo os ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o de massa, as universidades e seus representantes, as regulamenta\u00e7\u00f5es dos servi\u00e7os e do trabalho.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho dos motoboys transformados em \u201centregadores\u201d hoje possibilita pensarmos em <em>despotismo algor\u00edtmico<\/em><sup class=\"modern-footnotes-footnote\" data-mfn=\"16\" data-mfn-post-scope=\"00000000000007390000000000000000_2195\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000007390000000000000000_2195-16\">16<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000007390000000000000000_2195-16\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"16\">AB\u00cdLIO, L. Uberiza\u00e7\u00e3o, autogerenciamento e o governo da vira\u00e7\u00e3o. <em>Revista Margem Esquerda<\/em>, n.36, 1\u00ba semestre de 2021, pp. 55-69. N\u00famero 1678-7684<\/span>. Novos modos de controle operam a\u00ed, quanto mais informalizados, mais modul\u00e1veis e permanentes. O gerenciamento algor\u00edtmico possibilita o mapeamento individual e da multid\u00e3o de trabalhadores como um todo, al\u00e9m da data\u00e7\u00e3o administrada de m\u00faltiplas din\u00e2micas sociais. Trabalhadores <em>just-in-time<\/em> <sup class=\"modern-footnotes-footnote\" data-mfn=\"17\" data-mfn-post-scope=\"00000000000007390000000000000000_2195\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000007390000000000000000_2195-17\">17<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000007390000000000000000_2195-17\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"17\">OLIVEIRA, F. Passagem na neblina. In: STEDILE, Jo\u00e3o P.; GENO\u00cdNO, Jos\u00e9 (orgs.) <em>Classes sociais em mudan\u00e7a e a luta pelo socialismo<\/em>. S\u00e3o Paulo : Perseu Abramo, 2000.<\/span> <sup class=\"modern-footnotes-footnote\" data-mfn=\"18\" data-mfn-post-scope=\"00000000000007390000000000000000_2195\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000007390000000000000000_2195-18\">18<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000007390000000000000000_2195-18\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"18\">AB\u00cdLIO, L. Uberiza\u00e7\u00e3o: a era do trabalho just-in-time? In Quest\u00f5es do trabalho - Estud. av. 34 (98) - Jan-Abr 2020: <a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/ea\/a\/VHXmNyKzQLzMyHbgcGMNNwv\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.scielo.br\/j\/ea\/a\/VHXmNyKzQLzMyHbgcGMNNwv\/<\/a><\/span> ,Os despidos de qualquer entrave socialmente institu\u00eddo para sua explora\u00e7\u00e3o, s\u00e3o utilizados de forma racionalizada e eficiente, finalmente reduzidos \u00e0 pura for\u00e7a de trabalho. Neste encontro entre oligopoliza\u00e7\u00e3o das empresas e informaliza\u00e7\u00e3o do trabalho, desaparecem todas as garantias sobre tempo de trabalho, remunera\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o do trabalho. Fica o engajamento do trabalhador numa rela\u00e7\u00e3o com regras indecifr\u00e1veis, mas que definem as condi\u00e7\u00f5es de sua sobreviv\u00eancia.  Ao mesmo tempo em que mapeia, o gerenciamento algor\u00edtmico induz comportamentos, reconhece e produz previsibilidades, subordina trabalhadores, estabelecimentos e tamb\u00e9m o engajamento dos consumidores.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A gest\u00e3o de Bolsonaro materializou um movimento mais amplo da informaliza\u00e7\u00e3o como modo de governo, que n\u00e3o se restringe \u00e0 institucionalidade do Estado e que contam com o engajamento popular e essas empresas. O recusar <em>tudo que est\u00e1 a\u00ed<\/em> consistia em uma ruptura bem feita, por dentro, dos mecanismos burocraticamente estabelecidos, da legitimidade das institui\u00e7\u00f5es legalmente institu\u00eddas<sup class=\"modern-footnotes-footnote\" data-mfn=\"19\" data-mfn-post-scope=\"00000000000007390000000000000000_2195\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000007390000000000000000_2195-19\">19<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000007390000000000000000_2195-19\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"19\"> Cesarino, L. P\u00f3s-Verdade e a Crise do Sistema de Peritos: uma explica\u00e7\u00e3o cibern\u00e9tica.&nbsp; <em>Ilha<\/em>, Florian\u00f3polis, v. 23, n. 1, p. 73-96, 2021.<\/span>. Entrem nessa conta os ve\u00edculos legais de comunica\u00e7\u00e3o de massa<sup class=\"modern-footnotes-footnote\" data-mfn=\"20\" data-mfn-post-scope=\"00000000000007390000000000000000_2195\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000007390000000000000000_2195-20\">20<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000007390000000000000000_2195-20\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"20\">Finlayson , A. Neoliberalism, the Alt-Right and the Intellectual Dark Web (Neoliberalismo, a extrema-direita e a Dark Web intelectual). <em>Teoria, cultura e sociedade,<\/em>&nbsp; Vol. 38(6) 167-190, 2021<\/span>, as institui\u00e7\u00f5es cient\u00edficas e seus representantes socialmente legitimados<sup class=\"modern-footnotes-footnote\" data-mfn=\"21\" data-mfn-post-scope=\"00000000000007390000000000000000_2195\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000007390000000000000000_2195-21\">21<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000007390000000000000000_2195-21\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"21\"> Lynch, M. We have never been anti-science: reflections on science wars and post-truth (Nunca fomos anticient\u00edficos: reflex\u00f5es sobre guerras cient\u00edficas e p\u00f3s-verdade). <em>Envolvimento da ci\u00eancia, tecnologia e sociedade<\/em>, v. 6, p. 49-57, 2020; Cesarino, L. P\u00f3s-Verdade e a Crise do Sistema de Peritos: uma explica\u00e7\u00e3o cibern\u00e9tica.&nbsp; <em>Ilha<\/em>, Florian\u00f3polis, v. 23, n. 1, p. 73-96, 2021. e Duarte. D.; Benetti, P. Pela ci\u00eancia, contra os cientistas? Negacionismo e as disputas em torno das pol\u00edticas de sa\u00fade durante a pandemia. <em>Sociologias<\/em>. Porto Alegre, 24 (60), p.98-138, 2022. <\/span>  , as institui\u00e7\u00f5es e regulamenta\u00e7\u00f5es do trabalho<sup class=\"modern-footnotes-footnote\" data-mfn=\"22\" data-mfn-post-scope=\"00000000000007390000000000000000_2195\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000007390000000000000000_2195-22\">22<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000007390000000000000000_2195-22\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"22\">AB\u00cdLIO, L. Uberiza\u00e7\u00e3o: a era do trabalho just-in-time? In Quest\u00f5es do trabalho - Estud. av. 34 (98) - Jan-Abr 2020: <a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/ea\/a\/VHXmNyKzQLzMyHbgcGMNNwv\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.scielo.br\/j\/ea\/a\/VHXmNyKzQLzMyHbgcGMNNwv\/ <\/a>.<\/span> Uma esp\u00e9cie de governo weberiano invertido, que ataca todos os monop\u00f3lios legitimamente institu\u00eddos, inclusive o da viol\u00eancia do Estado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O esfuma\u00e7amento tamb\u00e9m atravessa as possibilidades de reconhecer a acumula\u00e7\u00e3o, a tornando mais potente e liberta dos freios sociais. E assim bambeamos entre buscar alguma lanterna explicativa entre o totalitarismo neoliberal e a crise do valor.  Antes do bicho estranho, Francisco de Oliveira utilizou a figura da <em>passagem na neblina<\/em><sup class=\"modern-footnotes-footnote\" data-mfn=\"23\" data-mfn-post-scope=\"00000000000007390000000000000000_2195\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000007390000000000000000_2195-23\">23<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000007390000000000000000_2195-23\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"23\"> OLIVEIRA, F. Passagem na neblina. In: STEDILE, Jo\u00e3o P.; GENO\u00cdNO, Jos\u00e9 (orgs.) <em>Classes sociais em mudan\u00e7a e a luta pelo socialismo<\/em>. S\u00e3o Paulo : Perseu Abramo, 2000.<\/span> para pensar com o Partido dos Trabalhadores sobre seus desafios pol\u00edticos frente \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es do trabalho. A neblina, entretanto, estabeleceu-se como perman\u00eancia: instaurou-se como t\u00e9cnica de governo, como elemento central do gerenciamento do trabalho, da acumula\u00e7\u00e3o e das formas de controle e mercantiliza\u00e7\u00e3o da vida. O outro lado da moeda \u00e9 tecido por uma \u201cluta de classes sem forma\u201d<sup class=\"modern-footnotes-footnote\" data-mfn=\"24\" data-mfn-post-scope=\"00000000000007390000000000000000_2195\"><a href=\"javascript:void(0)\"  role=\"button\" aria-pressed=\"false\" aria-describedby=\"mfn-content-00000000000007390000000000000000_2195-24\">24<\/a><\/sup><span id=\"mfn-content-00000000000007390000000000000000_2195-24\" role=\"tooltip\" class=\"modern-footnotes-footnote__note\" tabindex=\"0\" data-mfn=\"24\">GRUPO DE MILITANTES NA NEBLINA. Masterclass de fim do mundo: conflitos sociais no Brasil em pandemia. Site www.neblina.xyz, 2022.<\/span>, que vemos eclodir pelas ruas do mundo nesse mil\u00eanio. A\u00ed mora sua pot\u00eancia e seus perigos. Como esses dez anos nos mostraram.<\/p>\n<h4 class=\"modern-footnotes-list-heading\">NOTAS DE RODAP\u00c9<\/h4><ul class=\"modern-footnotes-list\"><li><span>1<\/span><div>SINGER, A. Os sentidos do lulismo: reforma gradual e pacto conservador. S\u00e3o Paulo : Cia das Letras, 2012.<\/div><\/li><li><span>2<\/span><div>PAULANI, L. Quando o medo vence a esperan\u00e7a. Um balan\u00e7o da pol\u00edtica econ\u00f4mica do governo Lula. Cr\u00edtica Marxista 19: 11-26, 2004.<\/div><\/li><li><span>3<\/span><div>OLIVEIRA, F.&nbsp; <em>Cr\u00edtica \u00e0 raz\u00e3o dualista\/ O ornitorrinco.<\/em> S\u00e3o Paulo : Boitempo, 2003<\/div><\/li><li><span>4<\/span><div>&nbsp;OLIVEIRA, F.&nbsp; <em>Cr\u00edtica \u00e0 raz\u00e3o dualista\/ O ornitorrinco.<\/em> S\u00e3o Paulo : Boitempo, 2003, p.149<\/div><\/li><li><span>5<\/span><div> NERI, Marcelo C. <em>A nova classe m\u00e9dia: o lado brilhante dos pobres. <\/em>Rio de Janeiro:  FGV\/ CPS, 2010, SAE. <em>Assuntos estrat\u00e9gicos: social e renda, a classe m\u00e9dia brasileira<\/em>. Bras\u00edlia : SAE, 2014; e SAE. <em>Vozes da nova classe m\u00e9dia. <\/em>Caderno 3. Bras\u00edlia : SAE, abril de 2013. <\/div><\/li><li><span>6<\/span><div>QUADROS, W. Paralisia econ\u00f4mica, retrocesso social e elei\u00e7\u00f5es. Plataforma Pol\u00edtica Social, 2015. Dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/plataformapoliticasocial.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/TD_WaldirQuadros012015.pdf\">http:\/\/plataformapoliticasocial.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/TD_WaldirQuadros012015.pdf<\/a><\/div><\/li><li><span>7<\/span><div>G1. Brasil ter\u00e1 at\u00e9 3,6 milh\u00f5es de \u2018novos pobres\u2019 em 2017, diz Bird. Mar\u00e7o de 2017.<\/div><\/li><li><span>8<\/span><div>QUADROS, W. Paralisia econ\u00f4mica, retrocesso social e elei\u00e7\u00f5es. Plataforma Pol\u00edtica Social, 2015. Dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/plataformapoliticasocial.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/TD_WaldirQuadros012015.pdf\">http:\/\/plataformapoliticasocial.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/TD_WaldirQuadros012015.pdf<\/a> e QUADROS, W. &amp; FACHIN, P. Est\u00e1 em curso um retrocesso social em cascata. Entrevista especial com Waldir Quadros. <em>Entrevistas IHU Online, <\/em>2015. Dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/541562-esta-em-curso-um-retrocesso-social-em-cascata-entrevista-especial-com-waldir-quadros\">http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/541562-esta-em-curso-um-retrocesso-social-em-cascata-entrevista-especial-com-waldir-quadros<\/a> <\/div><\/li><li><span>9<\/span><div> MEDEIROS, M.; SOUZA, P. H.G &amp; CASTRO, F. A. O topo da distribui\u00e7\u00e3o de renda no Brasil: Primeiras estimativas com dados tribut\u00e1rios e compara\u00e7\u00e3o com pesquisas domiciliares (2006-2012). DADOS - Revista de Ci\u00eancias Sociais, Rio de Janeiro, vol. 58, n.1, 2015, p. 7-36.<\/div><\/li><li><span>10<\/span><div>CARDOSO, A. M. Ensaios de sociologia do mercado de trabalho brasileiro. Rio de Janeiro: FGV, 2013.<\/div><\/li><li><span>11<\/span><div> OLIVEIRA, F. Passagem na neblina. In: STEDILE, Jo\u00e3o P.; GENO\u00cdNO, Jos\u00e9 (orgs.) <em>Classes sociais em mudan\u00e7a e a luta pelo socialismo<\/em>. S\u00e3o Paulo : Perseu Abramo, 2000.<\/div><\/li><li><span>12<\/span><div> OLIVEIRA, F.&nbsp; <em>Cr\u00edtica \u00e0 raz\u00e3o dualista\/ O ornitorrinco.<\/em> S\u00e3o Paulo : Boitempo, 2003<\/div><\/li><li><span>13<\/span><div>OLIVEIRA, F. Pol\u00edtica numa era de indetermina\u00e7\u00e3o: opacidade e reencantamento. In: Oliveira e Rizek. C. <em>A era da indetermina\u00e7\u00e3o.<\/em> S\u00e3o Paulo: Boitempo Editorial, 2007 <\/div><\/li><li><span>14<\/span><div> TIBLE, J. Junho selvagem e o ciclo de lutas global <em>- <\/em>Revista Jacobin: <a href=\"https:\/\/jacobin.com.br\/2023\/06\/junho-selvagem-e-o-ciclo-de-lutas-global\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/jacobin.com.br\/2023\/06\/junho-selvagem-e-o-ciclo-de-lutas-global\/<\/a><\/div><\/li><li><span>15<\/span><div>ZUBOFF, S. Big other: capitalismo de vigil\u00e2ncia e perspectivas para uma civiliza\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o. <em>Em: <\/em>Bruno, F., Cardoso, B., Kanashiro, M., Guilhon, L., Melga\u00e7o, L. (orgs.) <em>Tecnopol\u00edticas da vigil\u00e2ncia: Perspectivas da margem<\/em>. S\u00e3o Paulo, Brasil: Boitempo, 2018, p.59<\/div><\/li><li><span>16<\/span><div>AB\u00cdLIO, L. Uberiza\u00e7\u00e3o, autogerenciamento e o governo da vira\u00e7\u00e3o. <em>Revista Margem Esquerda<\/em>, n.36, 1\u00ba semestre de 2021, pp. 55-69. N\u00famero 1678-7684<\/div><\/li><li><span>17<\/span><div>OLIVEIRA, F. Passagem na neblina. In: STEDILE, Jo\u00e3o P.; GENO\u00cdNO, Jos\u00e9 (orgs.) <em>Classes sociais em mudan\u00e7a e a luta pelo socialismo<\/em>. S\u00e3o Paulo : Perseu Abramo, 2000.<\/div><\/li><li><span>18<\/span><div>AB\u00cdLIO, L. Uberiza\u00e7\u00e3o: a era do trabalho just-in-time? In Quest\u00f5es do trabalho - Estud. av. 34 (98) - Jan-Abr 2020: <a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/ea\/a\/VHXmNyKzQLzMyHbgcGMNNwv\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.scielo.br\/j\/ea\/a\/VHXmNyKzQLzMyHbgcGMNNwv\/<\/a><\/div><\/li><li><span>19<\/span><div> Cesarino, L. P\u00f3s-Verdade e a Crise do Sistema de Peritos: uma explica\u00e7\u00e3o cibern\u00e9tica.&nbsp; <em>Ilha<\/em>, Florian\u00f3polis, v. 23, n. 1, p. 73-96, 2021.<\/div><\/li><li><span>20<\/span><div>Finlayson , A. Neoliberalism, the Alt-Right and the Intellectual Dark Web (Neoliberalismo, a extrema-direita e a Dark Web intelectual). <em>Teoria, cultura e sociedade,<\/em>&nbsp; Vol. 38(6) 167-190, 2021<\/div><\/li><li><span>21<\/span><div> Lynch, M. We have never been anti-science: reflections on science wars and post-truth (Nunca fomos anticient\u00edficos: reflex\u00f5es sobre guerras cient\u00edficas e p\u00f3s-verdade). <em>Envolvimento da ci\u00eancia, tecnologia e sociedade<\/em>, v. 6, p. 49-57, 2020; Cesarino, L. P\u00f3s-Verdade e a Crise do Sistema de Peritos: uma explica\u00e7\u00e3o cibern\u00e9tica.&nbsp; <em>Ilha<\/em>, Florian\u00f3polis, v. 23, n. 1, p. 73-96, 2021. e Duarte. D.; Benetti, P. Pela ci\u00eancia, contra os cientistas? Negacionismo e as disputas em torno das pol\u00edticas de sa\u00fade durante a pandemia. <em>Sociologias<\/em>. Porto Alegre, 24 (60), p.98-138, 2022. <\/div><\/li><li><span>22<\/span><div>AB\u00cdLIO, L. Uberiza\u00e7\u00e3o: a era do trabalho just-in-time? In Quest\u00f5es do trabalho - Estud. av. 34 (98) - Jan-Abr 2020: <a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/ea\/a\/VHXmNyKzQLzMyHbgcGMNNwv\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.scielo.br\/j\/ea\/a\/VHXmNyKzQLzMyHbgcGMNNwv\/ <\/a>.<\/div><\/li><li><span>23<\/span><div> OLIVEIRA, F. Passagem na neblina. In: STEDILE, Jo\u00e3o P.; GENO\u00cdNO, Jos\u00e9 (orgs.) <em>Classes sociais em mudan\u00e7a e a luta pelo socialismo<\/em>. S\u00e3o Paulo : Perseu Abramo, 2000.<\/div><\/li><li><span>24<\/span><div>GRUPO DE MILITANTES NA NEBLINA. Masterclass de fim do mundo: conflitos sociais no Brasil em pandemia. Site www.neblina.xyz, 2022.<\/div><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Passados dez anos de junho de 2013, parecem restar mais perplexidades do que respostas. 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