{"id":9332,"date":"2024-08-12T13:03:37","date_gmt":"2024-08-12T13:03:37","guid":{"rendered":"https:\/\/alameda.institute\/?p=9332"},"modified":"2026-03-11T16:08:36","modified_gmt":"2026-03-11T16:08:36","slug":"olimpiadas-do-rio-e-de-toquio-vendem-uma-ilusao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alameda.institute\/pt\/artigo\/olimpiadas-do-rio-e-de-toquio-vendem-uma-ilusao\/","title":{"rendered":"Olimp\u00edadas do Rio e de T\u00f3quio vendem uma ilus\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-post-date has-small-font-size\"><time datetime=\"2024-08-12T13:03:37+00:00\">12 de agosto de 2024<\/time><\/div>\n\n\n<div style=\"height:29px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Organiza\u00e7\u00f5es esportivas desconsideram democracia e resist\u00eancia das popula\u00e7\u00f5es anfitri\u00e3s<\/h5>\n\n\n\n<p>__<\/p>\n\n\n\n<p>Naquele momento, as coisas pareciam estar caminhando muito bem. Mas o ar da noite estava repleto de ironia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAh ah, uh uh uh - o Maraca \u00e9 nosso\u201d, cantava uma multid\u00e3o de torcedores reunidos nas rampas de acesso, inevitavelmente vestindo verde e amarelo - e eu, em companhia do restante da delega\u00e7\u00e3o brasileira, aderi. Poucos minutos mais tarde, entrar\u00edamos no est\u00e1dio para a&nbsp;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/esporte\/olimpiada-no-rio\/2016\/08\/1799704-abertura-da-rio-2016-e-elogiada-pela-imprensa-internacional-veja-repercussao.shtml\">abertura da Olimp\u00edada do Rio<\/a>, pulando e requebrando sob uma blitz de luzes e o olhar expectante de milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>O Maracan\u00e3, \u00e9 claro, n\u00e3o era realmente nosso. Constru\u00eddo como s\u00edmbolo de moderniza\u00e7\u00e3o,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/esporte\/2021\/04\/mario-filho-resiste-e-se-levanta-como-simbolo-acima-de-polarizacoes-no-maracana.shtml\">o est\u00e1dio havia sido um dia o templo universal do futebol brasileiro<\/a>. Mas agora era um ativo privado, e aquela ocasi\u00e3o tinha sido preparada a fim de maximizar o lucro daqueles que haviam assumido sua propriedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Sorrindo e acenando, eu sabia ainda assim que aquilo era o apogeu do espet\u00e1culo. De fato, era o espet\u00e1culo do espet\u00e1culo -uma amostra deslumbrante da vida em sua forma comodificada. Nos dias seguintes, n\u00f3s, os atletas, ser\u00edamos objetos de marketing para aqueles que investiram nos Jogos, que transformariam nossos corpos -esculpidos por anos de treinamento- em mercadoria visual. E, quer gost\u00e1ssemos, quer n\u00e3o, n\u00f3s tamb\u00e9m hav\u00edamos sido recrutados como mercadores de uma ilus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu n\u00e3o era ningu\u00e9m ao lado dos tit\u00e3s do mundo esportivo, com quem esbarrava no refeit\u00f3rio da Vila Ol\u00edmpica. Mas, naquela noite, dentro do Maracan\u00e3, eu sentia que tinha tanto direito a celebrar quanto qualquer outro atleta. Merec\u00edamos aquele momento; merec\u00edamos nos sentir felizes.<\/p>\n\n\n\n<p>A caminho do Maracan\u00e3, passamos por um estacionamento vazio, onde no passado o est\u00e1dio de atletismo C\u00e9lio de Barros havia abrigado campeonatos sul-americanos de atletismo. O est\u00e1dio tinha sido demolido para permitir a constru\u00e7\u00e3o de um complexo de restaurantes e lojas, depois abandonado.<\/p>\n\n\n\n<p>Ser\u00e1 que os jovens atletas locais, para quem o C\u00e9lio de Barros era um segundo lar, mereciam ter destru\u00eddo os seus pr\u00f3prios sonhos de grandeza esportiva? Ser\u00e1 que milhares de moradores da Vila Aut\u00f3dromo mereciam ser violentamente expulsos de suas casas para&nbsp;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/esporte\/2021\/06\/parque-olimpico-renova-promessas-nunca-cumpridas-cinco-anos-apos-rio-2016.shtml\">abrir espa\u00e7o para o Parque Ol\u00edmpico<\/a>?<\/p>\n\n\n\n<p>Para evitar que levant\u00e1ssemos tais quest\u00f5es publicamente, meus colegas de equipe e eu recebemos \u201ctreinamento de m\u00eddia\u201d do Comit\u00ea Ol\u00edmpico do Brasil. E fomos obrigados a assinar um c\u00f3digo de conduta que pro\u00edbe declara\u00e7\u00f5es sobre pol\u00edtica e seu impacto nos Jogos.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, tr\u00eas semanas antes do come\u00e7o da competi\u00e7\u00e3o, nossas prepara\u00e7\u00f5es foram interrompidas para uma encena\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Passamos um dia cansativo viajando de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos (SP) a Bras\u00edlia (DF), e de volta, para que&nbsp;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/esporte\/olimpiada-no-rio\/2016\/08\/1799632-abertura-dos-jogos-no-maracana-tem-vaias-a-temes-e-a-governos.shtml\">Michel Temer<\/a>, O presidente do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas, que estava ocupando o Pal\u00e1cio do Planalto, poderia fazer um discurso de menos de tr\u00eas minutos e meio de dura\u00e7\u00e3o usando atletas brasileiros como pano de fundo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando voc\u00eas todos puderem ostentar as medalhas\u201d, ele grasnou, \u201cn\u00f3s estaremos revelando um Brasil onde a democracia \u00e9 est\u00e1vel, onde as coisas est\u00e3o caminhando muito bem, onde as institui\u00e7\u00f5es funcionam\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>As coisas estavam caminhando muito bem.<\/p>\n\n\n\n<p>A Olimp\u00edada, fomos levados a acreditar, seria um tijolo na constru\u00e7\u00e3o da \u201cponte para o futuro\u201d. Se aquilo parecia pouco convincente vindo de um pol\u00edtico t\u00e3o manifestamente retr\u00f3grado, a mensagem nada tinha de novo. Ao defender a candidatura do Rio de Janeiro diante do Comit\u00ea Ol\u00edmpico Internacional (COI), em 2009, Lula havia afirmado que \u201cchegou a nossa hora\u201d. \u201cO Brasil merece\u201d, ele declarou alegremente, depois que a vit\u00f3ria do Rio foi anunciada. O Brasil enfim havia sido aceito, ainda que tardiamente, nas fileiras da modernidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas mesmo ent\u00e3o, em meio \u00e0 fanfarra e jovialidade, antes que a rebeli\u00e3o tomasse as ruas, antes que a classe pol\u00edtica revelasse suas entranhas s\u00f3rdidas, n\u00e3o era preciso observar muito para discernir que, para a maioria dos brasileiros, a promessa da modernidade estava longe de ser realizada.<\/p>\n\n\n\n<p>No s\u00e9culo 20, a industrializa\u00e7\u00e3o brasileira, incipiente e dependente, arrancou as massas de suas estruturas tradicionais sem lhes alocar um lugar na economia formal. Por quase tr\u00eas d\u00e9cadas, a economia brasileira vinha se desindustrializando, depois que a liberaliza\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio e das finan\u00e7as gerou picos nos influxos de capital, supervaloriza\u00e7\u00e3o da moeda e uma queda na competitividade dos produtos industriais export\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>A d\u00edvida externa, acumulada para compensar, terminaria por ser enfrentada por meio de um ajuste fiscal, deixando suas causas estruturais, bem como os lucros dos brasileiros mais ricos, quase intocados.<\/p>\n\n\n\n<p>A redu\u00e7\u00e3o da pobreza foi uma realiza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, mas n\u00e3o permanente, dos governos do PT. Apesar de seus ideais progressistas, o PT foi incapaz de garantir para as massas uma instrumentalidade no desenvolvimento (e muito menos na supera\u00e7\u00e3o) do capitalismo brasileiro. O partido optou em lugar disso por um projeto de inclus\u00e3o consumista, constru\u00eddo sobre as funda\u00e7\u00f5es inst\u00e1veis de uma sociedade em fragmenta\u00e7\u00e3o -ou seja, sobre as ru\u00ednas da moderniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Um desafio pol\u00edtico central para o PT no governo foi o de convencer os brasileiros de que, a despeito dos sinais de estagna\u00e7\u00e3o secular, ainda restava capitalismo suficiente para todos. No entanto, assim que o festival mundial das commodities chegou ao fim, a \u201cprote\u00e7\u00e3o social\u201d deixou de ser capaz de impedir que a maioria perdesse a f\u00e9. Foi ent\u00e3o que pol\u00edticos venais, em conchavo com o grande capital e conglomerados de m\u00eddia c\u00ednicos, agiram decididamente para remover o PT do governo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, como se afirmassem o terreno comum a toda a elite pol\u00edtica brasileira, aqueles que assumiram o poder atribu\u00edram \u00e0 Olimp\u00edada a mesma fun\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica que o PT havia atribu\u00eddo, disputando apenas a propriedade de seu legado.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, enquanto o atual presidente d\u00e1 de ombros diante da morte de mais de meio milh\u00e3o de compatriotas por um v\u00edrus pand\u00eamico que ele propagou, aquilo que se seguiu \u00e0 Olimp\u00edada devia ser reconhecido como uma descida tr\u00e1gica \u00e0s trevas. Em retrospecto, a&nbsp;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/esporte\/olimpiada-no-rio\/\">Rio-2016<\/a>, Em todo seu espet\u00e1culo, n\u00e3o aparece como uma demonstra\u00e7\u00e3o da modernidade brasileira -o momento em que nossa hora enfim chegou-, mas, sim, um \u00faltimo e desesperado esfor\u00e7o para sustentar a ilus\u00e3o de que a modernidade continuava a ser um destino vi\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Desconsiderando as intrigas habituais da pol\u00edtica brasileira, a presid\u00eancia de Bolsonaro nada mais \u00e9 do que o produto do fim de uma ilus\u00e3o. Como Theodor Adorno escreveu certa vez, \u201ca desesperan\u00e7a busca uma sa\u00edda desesperada\u201d: a aniquila\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Bolsonaro nem finge se importar com a moderniza\u00e7\u00e3o. Ele se preocupa exclusivamente com o exerc\u00edcio niilista da viol\u00eancia, com a ministra\u00e7\u00e3o da morte -um empreendimento em que se provou singularmente efetivo. Assim, ele se torna a resposta sist\u00eamica a um superavit de trabalhadores que, dependentes da assist\u00eancia do Estado, s\u00e3o considerados como obst\u00e1culo \u00e0 acumula\u00e7\u00e3o, e que, a despeito de sua falta de organiza\u00e7\u00e3o, representam uma fonte potencial de volatilidade social.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a sociedade grotesca que p\u00f4de dar poder a Bolsonaro n\u00e3o tomou forma subitamente. Consolidou-se com o tempo, e ent\u00e3o se revelou plenamente enquanto o espet\u00e1culo se dissipava. Ela estava vis\u00edvel havia muito tempo na normaliza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia contra os trabalhadores sem terra, as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e os negros pobres nas periferias urbanas. Era vis\u00edvel, em meio ao \u00eaxtase da Olimp\u00edada: na aceita\u00e7\u00e3o da censura imposta pelo governo e da militariza\u00e7\u00e3o das ruas do Rio; na expans\u00e3o do poder comercial e pol\u00edtico das mil\u00edcias nos territ\u00f3rios que cercam o Parque Ol\u00edmpico.<\/p>\n\n\n\n<p>Se, hoje, o Estado neoliberal funciona como uma quadrilha, a administra\u00e7\u00e3o das obras ol\u00edmpicas refletiu e contribuiu para isso. Em numerosos casos, projetos de infraestrutura foram terceirizados para empreiteiras privadas que pagaram propinas a pol\u00edticos governistas, antes de abandonarem a constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas trapa\u00e7as encontraram uma contraparte na cultura sombria da burocracia internacional do esporte.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2017, surgiu a informa\u00e7\u00e3o de que membros do COI receberam&nbsp;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/esporte\/2018\/05\/propina-comprou-quatro-votos-no-coi-para-o-rio-16-diz-delator.shtml\">suborno para votar em favor da candidatura ol\u00edmpica do Rio<\/a>, o que mina a no\u00e7\u00e3o de que o Brasil merecia sediar os Jogos.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a escolha do Brasil tamb\u00e9m tinha um prop\u00f3sito sist\u00eamico. A organiza\u00e7\u00e3o de megaeventos esportivos fora do Ocidente -na Coreia do Sul, na China, na \u00c1frica do Sul, na R\u00fassia, no Qatar, no Brasil- n\u00e3o sugere apenas que as institui\u00e7\u00f5es internacionais est\u00e3o conseguindo difundir uma cultura profissional do esporte.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m contribui para o senso de que novos milagres de desenvolvimento s\u00e3o poss\u00edveis -o senso de que, no sistema capitalista, as coisas est\u00e3o caminhando muito bem.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso retarda a desilus\u00e3o inevitavelmente produzida pela compreens\u00e3o de que a avaria da moderniza\u00e7\u00e3o na periferia pressagia uma crise generalizada. O fato de as democracias ocidentais terem sido abaladas por rebeli\u00f5es sociais na \u00faltima d\u00e9cada parece indicar que a desilus\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 repercutindo: a fragmenta\u00e7\u00e3o que caracteriza a sociedade brasileira agora \u00e9 amplamente percept\u00edvel nos pa\u00edses considerados como os desbravadores da modernidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, o capitalismo exige espet\u00e1culos novos e mais extravagantes. Mas, ao atender a essa demanda, os megaeventos tamb\u00e9m se chocam com os elementos dist\u00f3picos da realidade atual, expondo a decad\u00eancia do esporte profissionalizado e das institui\u00e7\u00f5es internacionais que o usam a servi\u00e7o da globaliza\u00e7\u00e3o capitalista.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 medida que esses eventos enfrentam a resist\u00eancia das popula\u00e7\u00f5es anfitri\u00e3s cada vez menos dispostas a sedi\u00e1-los, organiza\u00e7\u00f5es como o COI e a Fifa, que dependem da receita que eles geram, demonstram sua desconsidera\u00e7\u00e3o pela democracia.<\/p>\n\n\n\n<p>A&nbsp;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/esporte\/toquio-2020\/\">Olimp\u00edada de T\u00f3quio<\/a>, que come\u00e7a no dia 23 de julho, talvez ofere\u00e7a a demonstra\u00e7\u00e3o mais clara disso at\u00e9 o momento. Com previs\u00f5es de uma nova onda de cont\u00e1gios pela&nbsp;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/coronavirus\/\">Covid-19<\/a>, uma maioria significativa dos cidad\u00e3os japoneses quer que os Jogos sejam cancelados. Mas um primeiro-ministro enfraquecido, pressionado pelo COI, manteve a competi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma vez mais, os atletas, entre os quais muitos contra quem competiram cinco anos atr\u00e1s, estar\u00e3o empregados na produ\u00e7\u00e3o de um espet\u00e1culo, ainda que mediado por condi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e imperativos culturais diferentes. Mesmo aqueles dentre eles que se incomodam com isso se sentir\u00e3o empolgados por participar do mais augusto evento poliesportivo do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>Em companhia dos f\u00e3s do esporte, eles provavelmente tamb\u00e9m sentir\u00e3o al\u00edvio por, depois de um ano de perturba\u00e7\u00f5es, entre as quais a&nbsp;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/esporte\/2020\/03\/jogos-olimpicos-de-toquio-serao-adiados-afirma-governo-japones.shtml\">suspens\u00e3o dos Jogos em 2020,<\/a>&nbsp;estejam em um ponto de competir de novo.<\/p>\n\n\n\n<p>O esporte de alto rendimento teve sua profundidade cultural roubada pela comercializa\u00e7\u00e3o, sendo transformado em um produto liso, homog\u00eaneo e lustroso. Mas continua a conjurar alguma coisa de sublime: n\u00e3o, como \u00e9 costume dizer, nas demonstra\u00e7\u00f5es de g\u00eanio ou habilidade que procuram garantir vit\u00f3rias ou entreter espectadores; mas, pelo contr\u00e1rio, naqueles momentos em que o inesperado e o incompreens\u00edvel interrompem o percurso ensaiado ao sucesso.<\/p>\n\n\n\n<p>Cinco anos atr\u00e1s, naquela noite da cerim\u00f4nia de abertura, sob as luzes brilhantes do Maracan\u00e3, uma forte convic\u00e7\u00e3o de que as coisas n\u00e3o estavam caminhando nem um pouco bem temperava minha felicidade. Mas, poucos dias mais tarde, quando entrei em campo para competir, foi a antecipa\u00e7\u00e3o de tais momentos sublimes que me deu uma sensa\u00e7\u00e3o breve, e talvez ilus\u00f3ria, de estar livre daquilo tudo.<\/p>\n\n\n\n<p>__<\/p>\n\n\n\n<p>Artigo publicado originalmente na <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/esporte\/2021\/07\/olimpiadas-do-rio-e-de-toquio-vendem-uma-ilusao.shtml\">Folha de S\u00e3o Paulo<\/a> em julho de 2021.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Organiza\u00e7\u00f5es esportivas desconsideram democracia e resist\u00eancia das popula\u00e7\u00f5es anfitri\u00e3s __ Naquele momento, as coisas pareciam estar caminhando muito bem. 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