Em uma época de aparente desordem e instabilidade, surgem muitas perguntas sobre onde está localizado o poder. Quem está no controle? Quem toma as decisões sobre as grandes questões que afetam a vida das pessoas?
Assim, o conceito de soberania, amplamente considerado como esgotado pela globalização, volta a ser central nas discussões sobre o nosso presente e futuro. Analisar como a soberania é exercida hoje, em meio à fragmentação política, social e econômica, pode fornecer insights valiosos sobre as novas possibilidades que essas transformações trazem consigo.
Questionando a suposição de que estamos agora em um interregno, um período temporário entre ordens estáveis, o projeto de pesquisa “After Order” (Depois da Ordem) do Alameda considera a possibilidade de termos entrado em uma época de crises mais frequentes – uma época pós-ordens estáveis.
Por meio do diálogo e do envolvimento crítico, esta iniciativa de pesquisa colaborativa explora a dispersão das reivindicações de soberania, as disputas que essas reivindicações geraram e as implicações para os esforços de construção de novos caminhos – alamedas – para uma sociedade melhor.
O Alameda reúne uma diverse community, public intellectuals, practitioners and activists across five continents. Through this collective, we aim to shape and disseminate critical debates on sovereignty, addressing the most pressing challenges of our time. Through research and media, partnering with social organisations, Depois da Ordem connects local knowledge and organising to internationalist endeavours.
“As the neoliberal order has frayed, so too have the institutions that once anchored political authority. Sovereign powers are now exercised by states, corporations, armed groups, and other actors — forcing us to rethink what sovereignty means, and who it is really for.”
– Anna Raposo de Mello, Coordenadora do Projeto "Depois da Ordem"
O "Depois da Ordem" está organizado em torno de cinco linhas de pesquisa interligadas. Juntas, essas linhas de pesquisa exploram como a soberania está sendo transformada:
Explora como as mudanças na economia política afetam o exercício da soberania e considera alternativas ao neoliberalismo que permitem transições mais justas.
Aborda a ascensão das grandes empresas de tecnologia, como elas remodelam a autoridade e como seu poder crescente é contestado, inclusive por movimentos que buscam o controle popular sobre a infraestrutura digital, os dados e a governança.
Analisa o surgimento de uma política autoritária de desordem e sua relação com a distribuição de poderes soberanos a traficantes ilícitos e outras organizações criminosas, milícias paraestatais e grupos mercenários.
Envolve-se com movimentos sociais, particularmente no Brasil, para compreender e aprender com seus esforços autônomos para alcançar a soberania alimentar, energética e hídrica.
Concentra-se em Estados e comunidades cuja soberania é restringida, negada ou prejudicada pelo comércio, pelas finanças e pela guerra, bem como por sistemas de dominação colonial e racial.