Para a zona de perigo

por Juliano Fiori
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“Nós vamos governar o país”, disse Donald Trump em uma coletiva de imprensa, horas depois de as forças militares dos EUA bombardearem a Venezuela e sequestrarem seu chefe de Estado. Já houve uma manifestação mais descarada do império americano neste século? De todas as ações audaciosas de Trump nas primeiras semanas de 2026, essa foi a confirmação mais clara de uma mudança geoestratégica profunda e desestabilizadora.

Havia o petróleo, havia a segurança americana e havia a Doutrina Monroe. Havia também “o bem do povo venezuelano”, embora o eufemismo parecesse resultar da extemporaneidade imprecisa de Trump, mais do que de qualquer preocupação em conjurar um jus ad bellum. E houve conversas soltas sobre narcoterroristas, o mais recente antagonista de fantasia gerado pela fusão retórica de vilões. Mas não houve quase nada do melodrama institucional que caracterizou a geração anterior do intervencionismo americano: nenhuma apresentação em PowerPoint para o Conselho de Segurança da ONU, nenhuma demissão de funcionários públicos internacionais, nenhum dossiê duvidoso elaborado por governos aliados.

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Juliano Fiori

Juliano é o diretor da Alameda. Sua pesquisa atual aborda a economia política da crise e a imaginação da catástrofe. Seus estudos de doutorado em história intelectual exploraram a teoria política e social de Leonard Trelawny Hobhouse. Seus textos sobre política e cultura são publicados regularmente no Brasil, onde mora, na Grã-Bretanha, onde cresceu, e em outros países.
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