
James Meadway é economista e dedica seu trabalho ao desenvolvimento de uma economia socialmente justa para o Antropoceno. Já foi diretor do Progressive Economy Forum, economista-chefe da New Economics Foundation e assessor econômico para o líder parlamentar do Gabinete de Oposição (Shadow Chancellor of the Exchequer) do Reino Unido entre 2015 e 2018. Ele apresenta o podcast semanal Macrodose. Seu livro mais recente, The Cost of Living Crisis (and How to Get Out of It) [A crise do custo de vida (e como sair dela), ainda sem tradução em Português]foi publicado pela Verso.
Ao longo de sete episódios, o podcast explora temas como o declínio da hegemonia norte-americana, a soberania digital, a geopolítica da energia e novas formas emergentes de poder popular.
No primeiro episódio, James conversa com o associado do Alameda Quinn Slobodian e com o escritor especializado em tecnologia Ben Tarnoff sobre o novo livro deles, Muskism: A Guide for the Perplexed.
Utilizando Elon Musk como ponto de partida, Quinn e Ben exploram o que chamam de Muskismo — uma nova lógica político-econômica que emerge das cinzas do neoliberalismo e que pode, assim como o Fordismo fez um século antes, oferecer um mapa para compreender o terreno ideológico do momento atual.
Se a era neoliberal está chegando ao fim, será que o Muskismo pode nos ajudar a interpretar a desordem que se segue? E o que, afinal, pode ser feito para resistir a esse processo?
No segundo episódio, James conversa com a cientista política e associada do Alameda Thea Riofrancos sobre seu livro recente, Extraction: The Frontiers of Green Capitalism.
Partindo do terreno ideológico do Muskismo para as bases materiais da economia global contemporânea, a conversa explora como a corrida pela descarbonização está remodelando padrões de poder, desigualdade e soberania. À medida que a demanda por minerais críticos, como o lítio, cresce rapidamente, novas fronteiras se abrem, assim como novos pontos de estrangulamento nas cadeias de produção. Nesse contexto, o capitalismo verde está redefinindo as dinâmicas de exploração que marcaram a era dos combustíveis fósseis.
Que tipo de economia política está emergindo desse momento de transição? E o que isso nos revela sobre os desdobramentos desordenados do mundo neoliberal?
No terceiro episódio, James conversa com a associada do Alameda Varsha Gandikota Nellutla, co-coordenadora-geral da Internacional Progressista e secretária-executiva do Hague Group, para explorar o que costumava ser chamado de “ordem internacional baseada em regras” e o surgimento de novas formas de resistência global.
Em uma conversa abrangente que passa por Gaza, Irã, América Latina e outros contextos, o episódio examina o que Varsha descreve como o colapso da “ficção jurídica” do império — a ideia de que a ordem global teria sido governada por regras neutras, e não por relações de poder. À medida que essa ficção se desfaz, assistimos ao retorno da coerção explícita, da agressão territorial e ao desafio aberto ao direito internacional por parte de Estados poderosos do Norte Global.
Mas, ao mesmo tempo em que essa ruptura ocorre, novas articulações políticas começam a ganhar forma. Do trabalho desenvolvido pelo Hague Group ao fortalecimento da solidariedade entre países do Sul Global, a conversa questiona se uma forma diferente de soberania — e um internacionalismo genuinamente decolonial — pode emergir das fissuras da desordem.
Se a antiga ordem sempre foi, em certa medida, uma fachada, o que a substituirá à medida que ela desmorona? E que possibilidades existem para construir algo novo em um mundo pós-ordem?
No quarto episódio, James conversa com Cecilia Rikap e Paolo Gerbaudo. Cecilia é professora de Economia e diretora de pesquisa do Institute for Innovation and Public Purpose, da University College London (UCL). Paolo é pesquisador sênior da Faculdade de Ciência Política e Sociologia da Universidade Complutense de Madri e autor de The Great Recoil: Politics after Populism and Pandemic.
Neste episódio, o foco é a soberania digital na era das Big Techs. O que significa viver em um mundo onde as infraestruturas que sustentam nosso cotidiano — dos mecanismos de busca e da computação em nuvem às comunicações e à logística — são propriedade e estão sob o controle de um número extremamente reduzido de elites do Vale do Silício? Quais são as implicações dessa concentração de poder para a democracia, para os Estados e para a possibilidade de autonomia política na era digital? E o que, se é que algo pode ser feito, podemos fazer diante desse cenário?
No quinto episódio, James conversa com Gabriel Tupinambá, pesquisador sênior do Alameda. Em um artigo em preparação, intitulado Popular Sovereignties Under Peripheral Conditions (Soberanias Populares em Condições Periféricas), Gabriel recorre aos movimentos sociais — especialmente os do Brasil — para compreender como diferentes comunidades estão tentando recuperar a soberania em novos termos.
Neste episódio, voltamos nossa atenção para o conceito de soberania popular. Em um momento em que a antiga ordem está se desintegrando — quando os Estados têm cada vez mais dificuldade para garantir direitos, estabilidade ou mesmo as condições básicas de vida — o que significa para movimentos sociais, comunidades e trabalhadores construir poder por conta própria?
No sexto episódio, James conversa com Juliano Fioripara revisitar os principais temas da série e discutir sua premissa central: a ideia de que não estamos vivendo aquilo que Antonio Gramsci chamou de um “interregno” — um momento em que o velho mundo está morrendo e o novo luta para nascer. Em vez disso, o argumento é que já habitamos um mundo marcado por uma desordem.
permanente. As bases materiais do que antes chamávamos de “ordem” estão se esgotando. Diante desse cenário, o que pode surgir a seguir? A ascensão contínua da China? Um mosaico de potências regionais em disputa? Ou um mundo caracterizado pela dominação sem hegemonia?
O episódio de hoje é o último da primeira temporada de AFTER ORDER. A gravação foi realizada ao vivo, em colaboração com o Instituto Alameda, na Art House, em Bethnal Green, no leste de Londres.
A conversa é conduzida por Juliano Fiori (Alameda) e conta com a participação de James Meadway (Macrodose), Clara Mattei (Universidade de Tulsa) e Aditya Chakrabortty (The Guardian).
Juntos, eles exploram a ideia de que já não vivemos entre sistemas políticos e econômicos estáveis, mas atravessamos uma era marcada por crises múltiplas, sobrepostas e contínuas.A maioria dos convidados e o apresentador são associados da Alameda ou membros da equipe do Alameda
Uma produção do Macrodose em colaboração com o Alameda.
Produzido por Freddie Stuart.