Custos da Guerra
Este artigo Custos da Guerra foi publicado pela New Left Review.

O discurso de Volodymyr Zelenskyy no Fórum da Indústria de Defesa da OTAN, em Ancara, no início deste mês, foi um hino à guerra com drones. Os drones, proclamou o presidente ucraniano, anunciaram ‘mudanças revolucionárias na própria natureza da guerra’ – tão significativas quanto a metralhadora na Primeira Guerra Mundial ou quanto o tanque moderno na Segunda. A tecnologia ‘disruptiva’ dos drones permitiu que a Ucrânia aumentasse drasticamente o número de baixas russas, interceptasse os UAVs Shahed da Rússia e atingisse alvos tão distantes quanto a Sibéria. Ataques recentes conseguiram escurecer os céus sobre Moscou e atingir refinarias de petróleo a 2.700 km de distância, em Omsk. O país se transformou em uma ‘superpotência dos drones’, nas palavras do Atlantic Council. Antes de 2022, havia apenas sete fabricantes nacionais de drones – hoje, são mais de 500. E agora, à medida que as restrições à exportação de drones estão sendo suspensas, a Ucrânia em breve os venderá para o mundo todo.
O principal responsável por colocar os drones no centro do esforço de guerra da Ucrânia tem sido o carismático Mykhailo Fedorov, de 35 anos, agora ex-ministro da Defesa. Esse prodígio da tecnologia, tão badalado, conquistou seguidores tanto entre os liberais patriotas no país quanto entre os atlantistas no Ocidente. Ele ajudou a promover a Ucrânia como uma espécie de ‘nação start-up’ – uma potência industrial de defesa de alta tecnologia forjada na guerra.
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