A traição do sonho sul-africano
Este artigo A traição do sonho sul-africano foi publicado pela revista New Statesman.
Com turbas praticando violência xenófoba nas ruas, a promessa da luta contra o apartheid se desfez

Hoje (18 de julho), os sul-africanos são convidados a comemorar o aniversário de Nelson Mandela realizando 67 minutos de atos de caridade, cada um em homenagem aos seus 67 anos de luta pela justiça social. O Dia de Mandela, como ficou conhecido, é um exemplo um tanto artificial (e patrocinado por empresas) de um resquício do chamado “nacionalismo arco-íris”, uma tentativa de forjar uma nova identidade nacional pós-apartheid baseada no não-racismo. Conforme reza a frase de abertura da Constituição de 1996, bem como da histórica Carta da Liberdade de 1955: “A África do Sul pertence a todos os que nela vivem.”
O nacionalismo arco-íris é hoje um projeto em declínio, ofuscado pelo fracasso do Congresso Nacional Africano em corrigir os erros do passado e promover uma economia igualitária e em crescimento. A África do Sul é classificado pelo Banco Mundial como o país mais desigual do mundo; apresenta uma taxa de desemprego de cerca de 35 por cento, os serviços básicos entraram em colapso em grande parte do país; e a maioria dos sul-africanos estão em situação mais precária do que em 2010. Tudo isso cria condições propícias para agitação em massa e instabilidade política.
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