Quem realmente governa o Brasil?

por Juliano Fiori
À medida que o Estado se fragmenta, as afirmações de Lula sobre a soberania nacional revelaram os limites do poder de seu governo, escreve Juliano Fiori.

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Este artigo, intitulado ‘A soberania do Brasil’, foi publicado na revista New Internationalist.

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‘Não podemos ficar com medo, nervosos e ansiosos quando há uma crise. Uma crise serve para criarmos coisas novas’, afirmou o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, em agosto passado, quando seu governo lançou um novo programa para ‘proteger os exportadores e trabalhadores brasileiros’ do impacto das tarifas dos EUA.

Foi uma demonstração de desafio — uma postura pela qual Lula ficou conhecido após o anúncio de Donald Trump, um mês antes, de tarifas de 50% sobre todas as importações brasileiras. O Plano Brasil Soberano, entre outras medidas, disponibilizou R$30 bilhões (US$5,5 bilhões) em crédito, especialmente para pequenas e médias empresas. O plano chegou a receber elogios da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) e da Confederação Nacional da Indústria (CNI), organizações que não costumam ser apoiadoras fiéis dos governos do Partido dos Trabalhadores (PT). Em comparação com outros programas para a indústria, representou um investimento modesto, que estaria muito aquém de compensar o impacto das tarifas propostas.

No entanto, o alarde em torno do Plano serviu a um propósito político. Nas semanas seguintes, a popularidade de Lula aumentou significativamente.

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*Este artigo é resultado do “After Order”, um projeto de pesquisa da Alameda que explora a transformação contemporânea da soberania.

Juliano

Juliano Fiori

Juliano é o diretor da Alameda. Sua pesquisa atual aborda a economia política da crise e a imaginação da catástrofe. Seus estudos de doutorado em história intelectual exploraram a teoria política e social de Leonard Trelawny Hobhouse. Seus textos sobre política e cultura são publicados regularmente no Brasil, onde mora, na Grã-Bretanha, onde cresceu, e em outros países.

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