A Rede de Autocracia

por Anna Raposo de Mello

Ao buscarmos forjar um novo internacionalismo de esquerda, devemos reconhecer o que estamos enfrentando: uma rede global de extrema direita que subverte e parodia as estruturas liberais herdadas. É possível uma alternativa democrática mais radical?

Arte da capa

Depois que um homem armado tentou matá-lo em um comício de campanha em julho de 2024, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou ter levado ‘um tiro pela democracia’. Da mesma forma, quando reassumiu o cargo presidencial no início de 2025, Trump anunciou que sua eleição era uma chance de reverter uma ‘traição horrível’ e devolver a ‘democracia’ e a ‘liberdade’ ao seu povo. No entanto, em poucos meses, seu governo lançou vários ataques às próprias estruturas democráticas que ele aparentemente defendia, com atos executivos que ultrapassavam as prerrogativas do Congresso, suspendendo direitos de cidadania, limitando o direito de protesto pacífico, restringindo a independência das universidades e criminalizando imigrantes. Entre janeiro e maio de 2025, os tribunais federais dos EUA bloquearam ou suspenderam temporariamente 145 medidas executivas consideradas inconstitucionais.

Na mesma época, no Brasil, o ex-presidente Jair Bolsonaro enfrentou acusações de planejar um golpe para derrubar - e finalmente assassinar - Luiz Inácio Lula da Silva, vencedor do segundo turno das eleições presidenciais de 2022. Apesar de ter sido processado com base em abundantes provas coletadas pela Polícia Federal do Brasil e de ter recebido o direito de defesa e o devido processo legal, Bolsonaro e seus aliados acusaram o juiz do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes (o principal juiz do caso), de ser um ‘tirano’ e um ‘ditador’. Suas alegações foram apoiadas pelo Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que sancionou Moraes por ‘grave abuso de direitos humanos’.

Para ler mais sobre o artigo ‘A Rede de Autocracia‘, visite o site do Tribune.

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Anna Raposo de Mello

Anna é pesquisadora e coordenadora de projetos na Alameda. Tem um doutorado conjunto em Relações Internacionais pelo King's College London e pela Universidade de São Paulo. Sua pesquisa mais recente examina o discurso político nas mídias sociais e suas implicações para a política, com foco especial na relação entre a politização digital, o autoritarismo contemporâneo e o crescente extremismo de direita. Ela também contribuiu para projetos sobre políticas antidemocráticas, multilateralismo, instituições financeiras internacionais e relações entre os EUA e o Brasil. Antes de se dedicar à pesquisa acadêmica, Anna trabalhou como jornalista por dez anos. Seus interesses mais amplos incluem política digital, tecnologia, epistemologia social e estudos de mídia.
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