Sobre o centrismo nacional

por Juliano Fiori

O artigo completo Sobre o centrismo nacional é publicado no Tribune e faz parte do programa Alameda's Depois da Ordem projeto.

O ’Starmerismo" foi definido pela ausência, e não por um plano firme de governo. Agora, a liderança trabalhista está tendendo à aceitação passiva do espírito nacionalista da época.

O mundo como o conhecíamos acabou’, declarou Keir Starmer no The Telegraph no início de abril, com toda a acuidade de alguém que, tendo dormido durante um terremoto, acorda em meio às ruínas. Mas, embora ele reconhecesse a redundância das ‘velhas suposições’, seu registro concedeu ao novo mundo uma familiaridade - até mesmo uma sugestão de repetição farsesca. ‘Sabemos que essa abordagem funciona’, ele se gabou dos planos de investimento de seu governo, evocando o pragmatismo da Terceira Via. O meio para a estabilidade, continuou ele, é a ‘renovação nacional’ - uma promessa central do manifesto do New Labour de 1997, que ele tem reiterado desde 2023.

Quase um ano antes, assim que a data da eleição geral foi anunciada, Starmer, tardiamente, mas sem surpresa, montou acampamento no terreno político do New Labour. ‘Acho que se ganha no centro do terreno’, afirmou ele em uma entrevista para o The Times. O centro do terreno é onde a maioria das pessoas está‘. A tautologia, para que não nos esqueçamos, era a peça central do repertório de comunicação altamente neoliberal. Mas, quando utilizada por Starmer, esses shibboleths não transmitem nenhuma das convicções dos ideólogos centristas da virada do século.

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Juliano Fiori

Juliano é o diretor da Alameda. Sua pesquisa atual aborda a economia política da crise e a imaginação da catástrofe. Seus estudos de doutorado em história intelectual exploraram a teoria política e social de Leonard Trelawny Hobhouse. Seus textos sobre política e cultura são publicados regularmente no Brasil, onde mora, na Grã-Bretanha, onde cresceu, e em outros países.

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