Este artigo de trabalho analisa a relação entre território, tecnologia e soberania na era digital, questionando a suposição generalizada de que as plataformas digitais são inerentemente desprovidas de localização e, portanto, minam o poder territorial. Ele questiona algumas das imagens espaciais dominantes que passaram a permear nosso imaginário da era digital — tais como as noções de ‘nuvem’ e ‘pilha’ —, destacando como elas se combinam para apresentar a tecnologia digital como virtual e desterritorializada, ignorando, assim, o entrelaçamento entre o poder digital e o territorial. Para abordar esses limites conceituais, que também restringem nossa imaginação política, o artigo propõe uma concepção ‘re-ancorada’ de soberania digital — entendida não como contenção autárquica, mas como uma ’autonomia incorporada’ relacional e viabilizada tecnologicamente — e introduz a noção de ‘territórios em nuvem’ para captar como o espaço contemporâneo é simultaneamente estratificado (verticalmente, por pilhas digitais) e fragmentado (horizontalmente, por fronteiras jurisdicionais persistentes). Conclui-se que uma estratégia política perspicaz nesta conjuntura precisa levar em conta o efeito de ‘fragmentação’ produzido pelo encontro entre as dimensões vertical e horizontal das estruturas de poder contemporâneas.
Tecnologia; geopolítica; espaço; poder; computação em nuvem; soberania
Gerbaudo, P. (2026). ‘Nuvens e territórios: espaço e poder”
’na Era Digital”. Documento de Trabalho 02. Alameda, Londres. Disponível em: https://alameda.institute/wp-content/uploads/2026/07/Gerbaudo_P_Clouds_and_Territories_Space_and_Power_in_the_Digital_Age_Working_Paper_2.pdf
Publicado em: 7 de julho de 2026
O festival Série de documentos de trabalho faz parte do programa After Order projeto.